domingo, 30 de agosto de 2009

"Cachorro viralata"

Cachorro viralata

Eu gosto muito de cachorro vagabundo
Que anda sozinho no mundo
Sem coleira e sem patrão
Gosto de cachorro de sarjeta
Que quando escuta a corneta
Sai atrás do batalhão

E por falar em cachorro
Sei que existe lá no morro
Um exemplar
Que muito embora não sambe
Os pés dos malandros lambe
Quando eles vão sambar
E quando o samba está findo
Vira-lata esta latindo a soluçar
Saudoso da batucada
Fica até de madrugada
Cheirando o pó do lugar

E até mesmo entre os caninos
Diferentes os destinos
Costumam ser
Uns têm jantar e almoço
E outros nem sequer um osso
De lambuja pra roer
E quando passa a carrocinha
A gente logo adivinha a conclusão
O vira-lata, coitado
Que não foi matriculado
Desta vez "virou"... sabão


Cachorro viralata (Alberto Ribeiro) - Carmen Miranda(1937)
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Cachorro viralata (Alberto Ribeiro) - Ney Matogrosso(1979)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Mulato bamba"

Mulato bamba

Esse mulato forte é do Salgueiro.
Passear no tintureiro é o seu esporte,
Já nasceu com sorte e desde pirralho
Vive às custas do baralho,
Nunca viu trabalho.
E quando tira um samba é novidade,
Quer no morro ou na cidade,
Ele sempre foi o bamba.
As morenas do lugar vivem a se lamentar
Por saber que ele não quer se apaixonar por mulher.

O mulato é de fato,
E sabe fazer frente a qualquer valente
Mas não quer saber de fita nem com mulher bonita.
Sei que ele anda agora aborrecido
Por que vive perseguido
Sempre, a toda hora
Ele vai-se embora
Para se livrar
Do feitiço e do azar
Das morenas de lá.

Eu sei que o morro inteiro vai sentir
Quando o mulato partir
Dando adeus para o Salgueiro.
As morenas vão chorar,
Vão pedir pra ele voltar
E ele não diz com desdém:
-Quem tudo quer, nada tem.


Mulato bamba (Noel Rosa) - Marcos Sacramento(2004)
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Mulato bamba (Noel Rosa) - Mario Reis(1960)

Mulato bamba (Noel Rosa) - Janaina Moreno ao vivo(2008)

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A CANÇÃO CONTADA

Uma honrosa exceção ocorreu em 1931, quando Noel Rosa em sua "Mulato bamba" fez uma menção à homossexualidade de Madame Satã, histórico malandro brigão da Lapa. Milagrosamente, foi num tom bacana, sem preconceitos clique aqui!.

Extraído do livro "História Sexual da MPB - A evolução do sexo e do amor na canção brasileira", de Rodrigo Faour.

Alguns citam Mario Reis como parceiro de Noel Rosa neste samba.



quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"Balanco zona sul"

Balanço zona sul

Balança toda pra andar
Balança até pra falar
Balança tanto que já balançou meu coração
Balance mesmo que é bom,
Do Leme até o Leblon
E vai juntando um punhado de gente
Que sofre com seu andar
Mas ande bem devagar
Que é pra não se cansar
Vai caminhando, balan balançando sem parar
Balance os cabelos seus7
Balance cai mas não cai
E se cair vai caindo, caindo
Nos braços meus


Balanco zona sul (Tito Madi) - Suellen(2003)
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Balanco zona sul (Tito Madi) - Wilson Simonal(1963)

Balanco zona sul (Tito Madi) - Glaucia Nasser ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

Em 1964 eu já tinha formado um trio com os amigos Benê (no piano e flauta) e Nelsinho (contrabaixo). Ainda amadores e éramos cada vez mais requisitados para apresentações em colégios e festas. Surgiram os primeiros convites para apresentações na televisão e como conseqüência a pressão para nos profissionalizarmos aumentava. Inspirados pela minha vivência de samba e jazz no "Juão Sebastião Bar", mudamos o nome do conjunto para "Bossa Jazz Trio".

Algum tempo depois, fomos convidados a participar de um show no colégio Mackenzie, onde, entre várias revelações, apresentaram-se, no início de suas carreiras, Toquinho e Chico Buarque de Holanda. O show do Mackenzie foi um marco na história do Bossa Jazz Trio, pois foi lá, como resultado da nossa performance, que fomos convidados pelo produtor de discos do selo RGE/Fermata, Manoel Barenbein, a gravar nosso primeiro disco.

Gravamos "Balanço Zona Sul", de Tito Madi, em um compacto simples (eram discos com duas músicas que tocavam em 45 rpm) clique aqui!. Para nossa felicidade a música foi um sucesso de vendas, o que levou Barenbein a nos convidar para gravar um LP completo com 12 músicas. A canção "Balanço Zona Sul" foi relançada no CD O Melhor da Bossa nº 6, pela RGE Discos, em comemoração dos 30 anos de Bossa Nova.

"Depoimento do baterista da primeira formação do Bossa Jazz Trio"

sábado, 22 de agosto de 2009

"As aparencias enganam"

As aparências enganam

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se ha neve cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.


As aparencias enganam (Tunai & Sergio Natureza) - Bete Calligaris(2001)
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As aparencias enganam (Tunai & Sergio Natureza) - Keko Brandao & Sergio Natureza & Elis Regina(2005)

As aparencias enganam (Tunai & Sergio Natureza) - Elis Regina ao vivo(1980)

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A CANÇÃO CONTADA

Outro momento vital para mim foi quando conheci a Elis - apresentada pelo João Bosco, a mim e ao Tunai no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro - depois quando fomos mostrar nossas primeiras parcerias para ela, no apartamento em que ela estava com o César Camargo Mariano no Arpoador, no Rio - quando ela cruzou comigo entre a sala e o banheiro e me disse que ia gravar música nossa e quando fomos (eu e o Tunai) assistir no Anhembi, em São Paulo, a estréia do show dela, "Essa mulher"(*) - no qual ela, pela primeira vez cantou, ao vivo, "As aparências enganam" - pensei que eu fosse explodir de tanta emoção - foi, sem dúvida alguma, o aval definitivo na minha (e do Tunai) carreira(s) artística(s). Mais tarde viemos a privar da amizade dela, ficando hospedados na sua casa da Cantareira (SP); eu trabalhei um ano como assessor de imprensa particular dela. Aprendi muito convivendo com ela.

Extraído de entrevista feita com Sergio Natureza, publicado no "Blog da Ava"

(*) No disco "Essa mulher", gravado por Elis Regina em 1979. clique aqui!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"Viajante"

Viajante

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez
Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor
A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas com que insistimos em nos defender
Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez


Viajante (Thereza Tinoco) - Ney Matogrosso(1981)
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Viajante (Thereza Tinoco) - Thereza Tinoco(1990)

Viajante (Thereza Tinoco) - Ney Matogrosso

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Um gosto de sol"

Um gosto de sol

Alguém que vi de passagem
Numa cidade estrangeira
Lembrou os sonhos que eu tinha
E esqueci sobre a mesa
Como uma pêra se esquece
Dormindo numa fruteira
Como adormece o rio
Sonhando na carne da pêra
O sol na sombra se esquece
Dormindo numa cadeira

Alguém sorriu de passagem
Numa cidade estrangeira
Lembrou o riso que eu tinha
E esqueci entre os dentes
Como uma pêra se esquece
Sonhando numa fruteira


Um gosto de sol (Milton Nascimento & Ronaldo Bastos) - Equale(2004)
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Um gosto de sol (Milton Nascimento & Ronaldo Bastos) - Milton Nascimento(1972)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Teco-teco"

Teco-teco

Teco, teco, teco, teco, teco
Na bola de gude era o meu viver
Quando criança no meio da garotada
Com a sacola do lado
Só jogava p'rá valer
Não fazia roupa de boneca nem tão pouco convivia
Com as garotas do meu bairro que era natural
Subia em postes, soltava papagaio
Até meus quatorze anos era esse meu mal

Com a mania de garota folgazã
Em toda parte que passava
Encontrava um fã
Quando havia festa na capela do lugar
Era a primeira a ser chamada para ir cantar
Assim vivendo eu vi meu nome ser falado
Em todo canto, em todo lado
Até com quem nunca me viu
E hoje a minha grande alegria
É cantar com cortesia
Para o povo do Brasil


Teco-teco (Milton Villela & Pereira da Costa) - Ademilde Fonseca(1950)
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Teco-teco (Milton Villela & Pereira da Costa) - Gal Costa ao vivo(1997)

Teco-teco (Milton Villela & Pereira da Costa) - Grupo Chororosambo

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"Serra da Boa Esperanca"

Serra da Boa Esperança

Serra da Boa Esperança,
Esperança que encerra
No coração do Brasil
Um punhado de terra
No coração de quem vai,
No coração de que vem,
Serra da Boa Esperança,
Meu último bem

Parto levando saudades,
Saudades deixando,
Murchas, caídas na serra,
Bem perto de Deus
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus
Vou-me enbora
Deixo a luz do olhar
No teu luar
Adeus!

Levo na minha cantiga
A imagem da serra
Sei que Jesus não castiga
Um poeta que erra
Nós, os poetas, erramos
Porque rimamos, também
Os nossos olhos nos olhos
De alguém que não vem

Serra da Boa Esperança,
Não tenhas receio,
Hei de guardar tua imagem
Com a graça de Deus!
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus,
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu olhar
Adeus!


Serra da Boa Esperanca (Lamartine Babo) - Elizeth Cardoso & Silvio Caldas(1971)
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Serra da Boa Esperanca (Lamartine Babo) - Tete Espindola & Alzira Espindola(1998)

Serra da Boa Esperanca (Lamartine Babo) - Claudette Ferraz ao vivo(2008)

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A CANÇÃO CONTADA

“Serra da Boa Esperança” é um samba-canção de 1937, composto por Lamartine Babo(1904-1963). Tanto a letra quanto a melodia foram compostas por Lamartine e é um exemplo bem expressivo de sua arte, em que o poeta e o compositor se igualam em competência e bom gosto.

Alguns poucos estudiosos dão crédito também a Carlos Neto (letra) na autoria da canção.

No início da década de 30 Lamartine Babo recebeu um carta da jovem Nair Oliveira Pimenta, uma mineira de Dores da Boa Esperança. Iniciou-se então um interesse mútuo e, com o passar do tempo, a troca de correspondências cresceu entre Lalá (apelido de Lamartine) e Nair. Juras de amor e poemas salpicavam a correspondência dos missivistas. Lamartine não agüentou a ansiedade e foi conhecer quem era sua musa sul mineira. Chegando à cidade, o susto. Nair era uma menina de 6 anos de idade.

Quem escrevera tais cartas então?

O dentista Carlos Alves Neto, irmão (existem referências que o colocam como tio) de Nair, assumiu: era ele quem mandava as cartas. Lalá sorriu amarelo, como quem mastigou pimenta achando que era pitanga, mas ficou na cidade e conheceu melhor Carlos Neto. Tornaram-se grandes amigos e há quem acredite que algo mais ali se passava ao ler as cartas que trocaram depois do ocorrido (“Sei que Jesus não castiga um poeta que erra”). A música começou a ser composta em Boa Esperança e veio a fazer grande sucesso nas vozes de Chico Viola (Francisco Alves) clique aqui! e Silvio Caldas.

Uma outra versão diz que a carta inicial pedia fotografias para um álbum de recordações. Lalá mandou as fotos e se correspondeu por um ano com a “fã apaixonada”, até que esta interrompeu as cartas porque iria se casar. Convidado, tempos depois, para ir à Boa Esperança por um dentista, Lalá se apressa para conhecer Nair - surpresa, não existia nenhuma Nair. Quem lhe escrevia era o próprio dentista, que colecionava fotos de celebridades, e viu essa forma como a única de conseguir o queria.

Um inspirado samba-canção, "Serra da Boa Esperança" mostrou-se propício a interpretações renovadoras, especialmente com criativas mudanças harmônicas, como a versão instrumental que lhe deram César Camargo Mariano e Wagner Tiso, em 1983, e a vocal de Eduardo Dusek, em 1984 clique aqui!, num reverente resgate.

Esteve presente na trilha sonora do filme “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005- Francisco Alves) e da novela “Éramos Seis (1977- Elizeth Cardoso e Silvio Caldas).

Extraído do site "Museu da Canção".


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Reencontro"

Reencontro

Olá amor
Há quanto tempo eu não vi amor
Há quanto tempo eu não sentia amor
O teu perfume o teu encanto
Olá amor
A tanta gente eu perguntei por ti
Foi mesmo Deus quem me mandou aqui
Ao teu caminho ao teu encontro
Me amor, estou feliz por te rever assim
Será que o tempo te afastou de mim
Será que já não sou mais teu amor

Refrão
Meu amor
Esse encontro me tirou a paz
Pois me mostrou que eu te amo mais
Do que te amava antes


Reencontro (Luiz Ayrao & Toninho Lemos) - Luiz Ayrao(1976)
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Reencontro (Luiz Ayrao & Toninho Lemos) - Maria Thereza(1979)

domingo, 9 de agosto de 2009

"Quase"

Quase

Foi pensando em você,
que eu escrevi esta triste canção.
Foi pensando em você,
que é meu tormento e é minha paixão.
É neste verso, que eu quero dizer,
o amor profundo que eu sinto por você.

Seu olhar me fascina,
oh! como eu vivo a sofrer,
quase que eu disse, agora,
o seu nome, sem querer,
não quero que zombe, de nós,
toda esa gente.
É por sua causa, que eu estou
tão diferente...

Bem pertinho de mim, ele está,
me ouvindo cantar...
e, juntinho dele, eu estou,
morrendo de amor...


Quase (Mirabeau & Jorge Goncalves) - Carlos Alberto(1986)
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Quase (Mirabeau & Jorge Goncalves) - Carmen Costa(1963)

Quase (Mirabeau & Jorge Goncalves) - Aurea Martins ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

O amor niteroiense de Carmen Costa

Carmen Madriaga, a supercantora Carmen Costa, que morreu aos 87 anos, teve íntimas relações com Niterói. Por cinco anos viveu um romance com o compositor Mirabeu Pinheiro (pai de Sinézia, sua única filha), capixaba que ainda criança veio viver na então capital fluminense, onde primeiro aprendeu o ofício de alfaiate e depois arranjou inspiração para compor obras de destaque na MPB. E onde morreu aos 67 anos, em 1991, meio no ostracismo.
Nos últimos anos de vida, tinha entre seus companheiros mais assíduos o jornalista Ivan Costa, falecido em 2006. Ivan era dos poucos niteroienses que reconheciam e reverenciavam Mirabeau nos bares do centro da cidade e tinha ("em offíssimo", como costumava dizer) uma informação que, por motivos óbvios, nunca teve tons de oficialidade: a de que Carmen Costa foi uma espécie de amor platônico de Ataulfo Alves. Como Carmen era apaixonada por Mirabeau, o autor de "Amélia" acabou sem chances.
Mas a paixão não correspondida teria provocado um dos duelos musicais mais admiráveis da MPB, gerando alguns sambas pra lá de antológicos. O mais cantado deles, de Ataulfo, é o "Pois é" ("Pois é, falaram tanto, que dessa vez a morena foi embora..."). A morena em off na letra de Ataulfo era, claro, Carmen Costa. Tanto, que Mirabeau contra-atacou em on, com "A morena sou eu", gravada pela própria. Ivan, cujo sobrenome nada tinha a ver com o da cantora, foi dos poucos jornalistas a ouvir essa história do próprio Mirabeau.
Fluminense de Trajano de Moraes, Carmen conheceu Mirabeau no início dos anos 50. A cantora vinha de um casamento fracassado com um americano e acabou se contentando em ser a outra na vida do compositor. No livro "A Outra: um estudo antropológico sobre a identidade da amante do homem casado", publicado em 1990 pela antropóloga Mirian Goldenberg, há um depoimento lúcido e sofrido de Carmen sobre sua convivência com o compositor niteroiense. Uma confissão de amor que, entre outras coisas, mostra que a Ataulfo só restava mesmo o plano platônico.
Leia o que Carmen revelou a Mirian sobre Mirabeau:
"Conheci Mirabeau em 1952 na boate Mocambo, na rua Prado Júnior, em Copacabana (zona sul do Rio). Ele cantava e tocava bateria. Ouvi e gostei de suas composições "Cachaça não é água" e "Quase" . Naquela época eu estava muito só. Fui casada 11 anos com um americano, mas me separei em 1945. Eu e Mirabeau começamos a andar juntos por toda parte, até que fiquei grávida. Ele era casado e na época tinha uma filha. Quando nasceu seu segundo filho (*) fui arranjar o dinheiro do parto, com Ataulfo Alves. Sua mulher aparecia para falar comigo e me chamava de vagabunda, mas eu tinha a cabeça erguida. Era independente, ganhava meu dinheiro. E ela só queria o dinheiro dele. Hoje canto suas músicas e os direitos autorais vão todos para ela. Chegamos a morar juntos, só que nosso amor foi minguando. Nossa história foi dura e difícil. Só não fomos mais felizes porque ele era casado. Tivemos uma filha, Sinézia, que está com 43 anos. Recebi a música "Eu sou a outra" pelo telefone, porque algumas pessoas sabiam do nosso caso. Hoje ainda é um sucesso, que deu coragem para as outras aparecerem. Naquela época era mais sossegado que hoje, não havia tanta fofoca. Os que sabiam me censuravam. Mirabeau não tinha coragem de se separar, mas chegou a pensar em se casar comigo no Uruguai, só que sua mulher não assinava o divórcio. Acabamos brigando e eu fui para os Estados Unidos procurar meu primeiro marido, em 1959, voltei ao Brasil no ano seguinte. Passei a não aceitar duas vidas, não queria mais me dividir, viver um amor partido. Durante muito tempo mantivemos correspondência, mas a atração de corpo acabou. Faria tudo de novo, mas ia exigir mais. Acho que ele faz muita falta, principalmente como compositor".
Em tempo I
"Eu sou a outra" ("Ele é casado, eu sou a outra na vida dele..."), parte cantada da biografia de Carmen Costa, é obra do jornalista e compositor Ricardo Galeno.
Em tempo II
Elegante sempre, Ataulfo Alves resolveu ele próprio registrar em disco as músicas, inclusive a composta por Mirabeau, em torno de Carmen Costa. Estão todas num pot-pouri de oito minutos que abre o LP "Eternamente Samba", gravado pela Polygram em 1966. A própria Carmen participou das gravações, junto com Ataulfo Alves Jr.
Extraído do blog do jornalista “Ancelmo Gois” enviado por Perin, de Niterói.
Esta postagem, eu dedico, hoje, “Dia dos Pais”, aos queridos amigos Ivan Costa (falecido), Floriano Carvalho, José Américo Honorato (Meca), Áurea Martins e Mirabeau Pinheiro Neto (*) (filho do compositor) que compartilham, comigo, histórias como esta.

"Paraquedista"

Paraquedista

Você me disse que dançava
E no choro era o tal
Paraquedista apareceu
E logo lhe deixou mal
Agora fica reclamando
Que dançou sem conhecer
Um choro bem gostoso
Que obriga o corpinho a mexer
Vou pedir para dar o bis
Quero ver você dançar
Um choro bem gostoso
Que é mesmo de amargar
Olha o moço na viola
e o bis vai executar
Vamo nego, tira a dama
Que o choro vai começar


Paraquedista (Jose Leocadio) - Britinho(1955)
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Paraquedista (Jose Leocadio) - Carmina Juarez(1996)


A CANÇÃO CONTADA

Em 1937, José Leocádio ingressou na Orquestra Tabajara de Severino Araújo, participando da primeira formação dessa importante orquestra brasileira, com a qual fez dezenas de apresentações além de gravação de discos. Em 1946, seu choro "Paraquedista" foi lançado pela Orquestra em gravação Continental, em versão instrumental com destaque para seu solo de trombone em conjunto com o sax-tenor de Zé Bodega. Esse choro tornou-se seu grande êxito como compositor, sendo regravado no mesmo ano por Jorge Veiga.

Extraído do “Dicionário Cravo Albin”

Em 1959, a Orquestra Tabajara fez nova gravação. clique aqui!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"O cio da terra"

O cio da terra

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão.

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propícia estação
E fecundar o chão


O cio da terra (Milton Nascimento & Chico Buarque) - Lux Profana(1994)
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O cio da terra (Milton Nascimento & Chico Buarque) - Quarteto em Cy(1991)

O cio da terra (Milton Nascimento & Chico Buarque) - Milton Nascimento & Chico Buarque

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

"Na rua, na chuva, na fazenda" ou "Casinha de sape"

Na rua, na chuva, na fazenda

Não estou disposto
A esquecer seu rosto
De vez
E acho que é tão normal
Dizem que sou louco
Por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim
Jogue suas mãos para o céu
E agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê


Na rua, na chuva, na fazenda ou Casinha de sape (Hyldon) - Hyldon(1975)
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Na rua, na chuva, na fazenda ou Casinha de sape (Hyldon) - Kid Abelha(1997)

Na rua, na chuva, na fazenda ou Casinha de sape (Hyldon) - Kid Abelha & Lenine ao vivo

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Malvina"

Malvina

MALVINA, VOCÊ NÃO VAI ME ABANDONAR,
NÃO PODE, SEM VOCÊ COMO É QUE EU VOU FICAR.
MALVINA, VOCÊ NÃO VAI ME ABANDONAR,
NÃO PODE, SEM VOCÊ COMO É QUE EU VOU FICAR.

TÁ FAZENDO MAIS DE DEZ ANOS
QUE NÓIS ESTEMOS JUNTOS
E DAQUI VOCÊ NÃO SAI
MINHA VIDA SEM VOCÊ NÃO VAI
MINHA VIDA SEM VOCÊ NÃO VAI


Malvina (Adoniran Barbosa) - Adoniran Barbosa(1975)
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Malvina (Adoniran Barbosa) - Demonios da Garoa(1951)

Malvina (Adoniran Barbosa) - Samba do Gole ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

“Malvina” de Adoniran Barbosa, consagrou os Demônios da Garoa com o título de “Campeão do Carnaval de 1951” no concurso de músicas do carnaval paulista, promovido pelaFolha da Tarde” em conjunto com a lojaRádios Assunção Ltda”, pela música campeã do carnaval de 1951, com base na votação popular e na vendagem de discos, que conquistou o primeiro lugar com 20 pontos.

Começava ali uma das uniões musicais mais famosas da música brasileira; a dos "Demônios" com Adoniran.

domingo, 2 de agosto de 2009

"Lavadeira do rio"

Lavadeira do rio

A lavadeira do rio, muito lençol pra lavar
Fica faltando uma saia quando o sabão se acabar
Mas corra pra beira da praia, veja a espuma brilhar
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor, que a noite chegou fazendo frio
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor, que a noite chegou fazendo frio
Oh, Rita, tu sai da janela, deixa esse moço passar
Quem não é rica e é bela não pode se descuidar
Ah, Rita, tu sai da janela que as moça desse lugar
Nem se demora donzela nem se destina a casar
Nem se demora donzela nem se destina a casar
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor, que a noite chegou fazendo frio
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor, que a noite chegou fazendo frio
Ah, lavadeira do rio, muito lençol pra lavar
Fica faltando uma saia quando o sabão se acabar
Mas corra pra beira da praia, veja a espuma brilhar
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor, que a noite chegou fazendo frio
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor, que a noite chegou fazendo frio


Lavadeira do rio (Braulio Tavares & Lenine) - Elba Ramalho(1998)
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Lavadeira do rio (Braulio Tavares & Lenine) - Lenine(2002)

Lavadeira do rio (Braulio Tavares & Lenine) - Maria Rita ao vivo

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sábado, 1 de agosto de 2009

"Ja e madrugada"

Ja e madrugada (Rubens Campos & Henricao) - Carmen Costa(1943)
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Ja e madrugada (Rubens Campos & Henricao) - Henricao(1980)