quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Hora da razao"

Hora da razão

Se eu deixar de sofrer,
Como é que vai ser para me acostumar.
Se tudo é carnaval eu não devo chorar,
Pois eu preciso me encontrar
...... Se eu deixar de sofrer...(bis)

Sofrer também é merecimento,
Cada um tem seu momento
Quando a hora é da razão.
Alguém vai sambar comigo
E o nome eu não digo,
Trago tudo no coração
..............................................
.... Se eu deixar de sofrer....


Hora da razao (Batatinha & J. Luna) - Adriana Moreira(2006)
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Hora da razao (Batatinha & J. Luna) - Batatinha(1976)

Hora da razao (Batatinha & J. Luna) - Beth Carvalho ao vivo

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Goiabada cascao"

Goiabada cascão

Goiabada cascão em caixa
É coisa fina, sinhá
Que ninguém mais acha

Rango de fogão de lenha
Na festa da Penha
Comido com a mão
Já não tem na praça
Mas como era "bão"

Hoje só tem misto quente
Só tem milk shake
Só tapeação
Já não tem mais caixa
De goiabada cascão

Goiabada cascão em caixa...

Samba de partido alto
Com a faca no prato
E batido na mão
Já não tem na praça
Mas como era "bão"

Hoje só tem som de black
Só tem discoteque
Só imitação
Já não tem mais caixa
De goiabada cascão

Goiabada cascão em caixa...

Vida na casa de vila
Correndo tranquila
Sem perturbação
Já não tem na praça
Mas como era "bão"

Hoje só tem conjugado
Que é mais apertado
Do que barracão
Já não tem mais caixa
De goiabada cascão

Goiabada cascão em caixa...


Goiabada cascao (Wilson Moreira & Nei Lopes) - Beth Carvalho(1978)
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Goiabada cascao (Wilson Moreira & Nei Lopes) - Dudu Nobre(2004)

Goiabada cascao (Wilson Moreira & Nei Lopes) - Nei Lopes & Samba do Baú ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

Um dia , Sergio Cabral disse que o Dino (sete cordas) era “goiabada cascão em caixa”, algo muito raro. A partir daí, passou a simbolizar coisa fina, que ninguém mais acha.

A canção "Goiabada cascão" passou a fazer parte das rodas de samba pelo Brasil afora. Adiante, com o autor da melodia, mestre Wilson Moreira, acompanhado do Grupo Candongueiro:

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Favela"

Favela

No carnaval
Me lembro tanto da favela oi
Onde ela oi morava

Tudo que eu tinha
Era uma esteira e uma panela oi
Mais ela oi gostava

Por isso eu ando
Pelas ruas da cidade
Vendo que a felicidade
Foi aquilo que passou

Que a favela
Que era minha e era dela
Só deixou muita saudade
Porque o resto ela levou

Me lembro tanto
Do café numa tigela oi
Que ela oi me dava

E uma reza que por mim
Lá na capela oi
Só ela oi rezava

Por isso eu ando
Pelas ruas da cidade
Vendo que a felicidade
Foi aquilo que passou

E a favela
Que era minha que era dela
Só deixou muita saudade
Porque o resto ela levou

Outro dia
Eu fui lá em cima
Na favela oi
E ela oi não estava

O que era casa
Eu encontrei uma chinela oi
Que ela oi sambava

Por isso eu ando pelas ruas da cidade
Vendo que a felicidade
Foi aquilo que passou

E que a favela
Que era minha e era dela
Só deixou muita saudade
Porque o resto ela levou


Favela (Hekel Tavares & Joracy Camargo) - Luiz Roberto(1960)
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Favela (Hekel Tavares & Joracy Camargo) - Maysa(1962)

Favela (Hekel Tavares & Joracy Camargo) - Ana Salvagni

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A CANÇÃO CONTADA

Raul Roulien, ator e cantor, foi o primeiro a gravar "Favela" em 1933. clique aqui!

Comentário de Andrea Tavares, neta de Hekel Tavares, ao blog "Fósforo" de David Brazil em 27/08/2009:

"É sempre bom saber que tem gente que aprecia a obra de Hekel.

Sou suspeita para falar, pois ele foi meu avô e cresci escutando suas canções.

Uma das minhas canções preferidas é "Favela"….e os concertos para piano e orquestra e o Anhaguera são de emocionar.

Uma dica: João Gilberto gravou "Guacyra", outra canção de Hekel muito linda!

Abraço

Andrea"



terça-feira, 20 de outubro de 2009

"E nada mais"

E nada mais (Cesar Siqueira & Maria Rita) - Elizeth Cardoso(1958)
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E nada mais (Cesar Siqueira & Maria Rita) - Helena de Lima(1956)

domingo, 18 de outubro de 2009

"De menor"

De menor

Sou o menor dos pequeninos
O mais pobre dos plebeus
O alheio inquilino
O mais baixo pigmeu
O comum do singular
O último dos derradeiros
Viandante e pelegrino
O mais manso dos cordeiros

Eu sou maior
Em lampejos de brandura
De Angelica candura
Dos mistérios do amor
Sou bem maior
Que os pinheirais da humanidade
Pelos campos da bondade
Eu sou a felicidade


De menor (Ederaldo Gentil) - Ederaldo Gentil(1976)
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De menor (Ederaldo Gentil) - Noite Ilustrada(1977)


A CANÇÃO CONTADA

"Eu nunca tinha visto nada sobre o compositor baiano, Ederaldo Gentil (nascido em 1943), em publicações. A divulgação nacional do artista, foi sofrível. Se não fosse o programa do Adelzon Alves, "O Amigo da Madrugada" levado ao ar, durante mais de duas décadas, pela rádio Globo do Rio de Janeiro, o moço teria sido vítima do ostracismo, em pleno auge da sua carreira.

Duas criações dele, estão inclusas, entre as mais belas canções, que já ouvi na MPB. "O ouro e a madeira" e "De menor", gravadas pelo extinto conjunto "Nosso Samba" que acompanhava a maravilhosa Clara Nunes."

"Extraído de Aldemir Bispo"

Em 1999, seu parceiro Edil Pacheco produziu, com patrocínio da COPENE, o disco "Pérolas Finas", fazendo uma retrospectiva da carreira de Ederaldo Gentil. O belíssimo disco conta com participações especiais de grandes artistas, como Paulo Cesar Pinheiro que gravou "De menor". clique aqui!

sábado, 17 de outubro de 2009

"Caco velho"

Caco velho

Reside no subúrbio do Encantado
Num barracão abandonado
João de Tal
Cabra falado
E dizem que viveu fora da lei
Foi um rei
Que zombava da morte
Tinha um santo forte
No meio da gente bamba
O seu prazer era tirar um samba
Pulava, dava rasteira
Topava briga de qualquer maneira
Mas hoje é um caco velho
Que não vale nada
Tem a cabeça branca
A pele encarquilhada
Faz até pena ver o seu estado
A vida é essa
É um segundo que se esvai depressa
Todos nós temos o nosso momento
E depois dele o esquecimento


Caco velho (Ary Barroso) - Aracy de Almeida(1958)
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Caco velho (Ary Barroso) - Paulinho da Viola(1995)


A CANÇÃO CONTADA

A canção "Caco velho" foi responsável pelo nome artístico dado ao cantor/compositor Matheus Nunes, conhecido como Caco Velho (1919-1971).

Nasceu na cidade de Porto Alegre - RS. Na infância, como as demais crianças, fazia pipas, jogava bola, brincava com bola de gude, pião e etc.

Observando as necessidades que passava a avó, toma uma decisão, com o intuito de ajudá-la, passando a vender balas nos cinemas em períodos de matinê e engraxava sapatos pela manhã, na região do comércio. O ganho não era grande, e o guri, passa a vender cigarros, fósforos e balas, em um tabuleiro, montado por ele no quintal de casa. Para aumentar seus ganhos e responsabilidade, passa a ir com a nova bandeja em períodos noturnos, comerciar os produtos no “BAR FLORIDA”.

Quando permanecia neste bar noturno, servindo clientes, entoava o samba de Ary Barroso, de nome “Caco velho", com batidas em caixinhas de fósforo e nas abas de seu tabuleiro. Estava com apenas nove anos de idade.

Mais tarde (1952), já com esse nome artístico, veio a gravar a canção, acompanhado ao piano pelo músico/compositor Hervê Cordovil. clique aqui!

"Extraído de Joao Augusto M. de Andrade"

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Bambino"

Bambino

E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar

E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há

E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor

E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal

Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final

E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar

Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar

Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar

E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar


Bambino (Ernesto Nazareth & Jose Miguel Wisnik) - Elza Soares(2002)
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Bambino (Ernesto Nazareth & Jose Miguel Wisnik) - Na Ozzetti & Andre Mehmari(2005)

Bambino (Ernesto Nazareth & Jose Miguel Wisnik) - Na Ozzetti & Andre Mehmari

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A CANÇÃO CONTADA

"Bambino" (Ernesto Nazareth), foi sucesso no Brasil em 1913… e é moderníssimo na voz de Elza Soares

"Extraído de Cris Bressan"

Elza Soares canta "Bambino", já com a letra de José Miguel Wisnik, no encerramento do filme "Garrincha - Estrela Solitária", de Milton Alencar:

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"As cancoes que voce fez pra mim"

As canções que você fez prá mim

Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei porque razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou.
Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais.
É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente
Minha alegria é triste.
Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui
Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais
É tão difícil olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente
Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui.


As cancoes que voce fez pra mim (Roberto & Erasmo) - Evinha(1999)
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As cancoes que voce fez pra mim (Roberto & Erasmo) - Roberto Carlos(1968)

As cancoes que voce fez pra mim (Roberto & Erasmo) - Maria Bethania & Erasmo Carlos ao vivo

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Vibracoes"

Vibracoes (Jacob do Bandolim) - Joel Nascimento(1998)
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Vibracoes (Jacob do Bandolim) - Radames Gnattali & Camerata Carioca(1979)

Vibracoes (Jacob do Bandolim) - Conjunto Som Brasileiro

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A CANÇÃO CONTADA

Em 1967 Jacob do Bandolim encerrava sua discografia com chave de ouro. "Vibrações" é o último disco solo de Jacob e seu conjunto, o Época de Ouro. Veja o que diz Henrique Cazes sobre o LP:

"[...] um caso raríssimo de unanimidade na discografia brasileira. "Vibrações", de 1967, é um dos discos mais perfeitos já realizados no país. É também um trabalho que resiste ao tempo, soando sempre atual [...]."

Neste registro, Jacob prova que nunca se acomodou com a fama de grande instrumentista e de que sempre buscava a perfeição como bandolinista. Os méritos também devem ser divididos com o conjunto Época de Ouro, que era formado por: Dino 7 Cordas, César Faria, Carlinhos Leite, Jonas Silva, Gilberto d'Ávila e Jorginho do Pandeiro.

Ouça a gravação do choro "Vibrações" que dá título ao disco! clique aqui!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Um grito parado no ar"

Um grito parado no ar (Toquinho & Guarnieri) - Ana de Hollanda(1980)
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Um grito parado no ar (Toquinho & Guarnieri) - Toquinho(1973)


A CANÇÃO CONTADA


Texto de Gianfrancesco Guarnieri, vinculado ao teatro de resistência, produzido por Martha Overbeck e Othon Bastos, em encenação de Fernando Peixoto. Um dos primeiros espetáculos que conseguem furar o cerco da Censura em plena ditadura, por meio de uma linguagem metafórica, que revela o inconformismo e a rebeldia característicos do período.

O espetáculo estreia quase simultaneamente a "Botequim", outro texto de Guarnieri, configurando as primeiras incursões do autor por um estilo figurado no qual se fazem referências indiretas à situação social e política do Brasil.

"Um grito parado no ar" reflete o momento difícil que a dramaturgia atravessa, desejosa de discutir problemas sociais, mas obrigada a evitar alusões explícitas que pudessem levar ao veto da Censura. Num depoimento prestado na ocasião, Guarnieri admite que "são minhas primeiras incursões no reino das metáforas e dos símbolos. Eu penso que esta ginástica possa ser útil, no sentido de que nos obriga a mexer com a gente mesmo. [...] Ter de modificar a própria maneira de falar pode ser bom, no sentido em que a modificação traz a conquista de novos instrumentos".

A peça gira em torno de um grupo de teatro em seu processo de trabalho e ressalta as dificuldades que enfrentam dentro e fora dos palcos.

Enfocando três planos de realidade, o diretor Fernando Peixoto descreve a estrutura do espetáculo: as articulações existentes na encenação: "Um diretor e cinco atores procuram realizar um trabalho, enfrentando toda sorte de pressões externas; o trabalho está sendo minado por uma infra-estrutura repressiva, que provoca uma crise de conseqüências insuspeitas; a peça que este grupo está procurando encenar é mostrada através de cenas isoladas, mas nunca totalmente definida. [...] noutro plano estão os poucos momentos em que o diretor e atores conseguem vencer; são mostrados exercícios de interpretação, laboratórios e improvisações, discussões sobre os personagens. O espectador assiste ao processo de criação do ator. A mística do teatro é desnudada. [...] No terceiro plano estão as entrevistas com o povo, todas autênticas, gravadas nas ruas de São Paulo. Na peça dentro da peça seriam entrevistas realizadas para servirem de material de estudo para a criação de suas personagens".

A ação de "Um Grito..." se utiliza da alegoria, mostrar o teatro como um local onde se trabalha e se fabrica uma aparência da realidade. Quando despojado de tudo, resta ao grupo de artistas somente um uníssono grito final, símbolo da luta e também da sobrevivência em meio à opressão reinante.

"Texto extraído em 05/07/1973, por ocasião da apresentação da peça no Teatro Aliança Francesa - São Paulo - SP"

"Um grito parado no ar”, levada pela primeira vez, em 1973, em Curitiba, logo ganhou espaço nacional. Mas não foi filha única desse ano. Ao ser lançada junto com “Botequim”, outra peça inédita do autor, marcou a história do teatro brasileiro, pois era um período em que um acúmulo de problemas externos ao teatro desestimulava imensamente a tarefa de escrever. A retração dos autores brasileiros estava forte demais, e é nesse momento político em que o teatro se vê pressionado pela Censura, que Guarnieri a dribla e leva aos palcos de muitas cidades brasileiras duas peças. Guarnieri, em muitos de seus depoimentos e entrevistas, revelou que estas peças tiveram uma ou outra palavra cortada, uma ou outra expressão trocada, mas no fundamental a "coisa" ficou como foi escrita.

Guarnieri nos relata que estas obras foram suas primeiras incursões no reino das metáforas e dos símbolos; experiência interessante do ponto de vista artesanal, pois foi preciso superar dificuldades, não pela linha reta, mas dando voltas. “Foi a única colaboração realmente ‘legal’ da censura”.

Extraído de “UM GRITO PARADO NO AR – A METÁFORA DA RESISTÊNCIA”, de Maria Cristina Monteiro.