sábado, 30 de maio de 2009

"Balancamba"

Balancamba (Roberto Menescal & Ronaldo Boscoli) - Lucio Alves(1963)
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Balancamba (Roberto Menescal & Ronaldo Boscoli) - Roberto Menescal e seu Conjunto(1967)

A CANÇÃO CONTADA

Quando a Bossa Nova surgiu, encontrou o modernismo de Lúcio Alves esperando por ela e perguntando por que demorara tanto. À sua maneira, ele já a inventara muito antes. Mas Lúcio aprovou a nova música e se incorporou a ela. Sua decisão de dedicar um disco inteiro às canções de Menescal e Bôscoli era um aval para a Bossa Nova e uma tremenda homenagem à dupla - eles o admiravam desde o tempo em que ainda não tinham calças para ouvi-lo nas boates de Copacabana.

"Extraído do site Revivendo"

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"A favela vai abaixo"

A favela vai abaixo

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Quanta saudade tu terás deste torrão
Da casinha pequenina de madeira
que nos enche de carinho o coração

Que saudades ao nos lembrarmos das promessas
que fizemos constantemente na capela
Pra que Deus nunca deixe de olhar
por nós da malandragem e pelo morro da Favela
Vê agora a ingratidão da humanidade
E o poder da flor sumítica, amarela
que sem brilho vive pela cidade
impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Arruma as "troxa", vamo embora pro Bangú
Buraco Quente, adeus pra sempre meu Buraco
Eu só te esqueço no buraco do Caju

Isto deve ser despeito dessa gente
porque o samba não se passa para ela
Porque lá o luar é diferente
Não é como o luar que se vê desta Favela
No Estácio, Querosene ou no Salgueiro
meu mulato não te espero na janela
Vou morar lá na Cidade Nova
pra voltar meu coração para o morro da Favela


A favela vai abaixo (Sinho) - Francisco Alves(1928)
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A favela vai abaixo (Sinho) - Marcos Sacramento & Clara Sandroni & Lira Carioca(1999)


A CANÇÃO CONTADA

Em 1927, quando Alfred Agache afirmou que as favelas teriam de ser erradicadas, o compositor José Barbosa da Silva, o Sinhô, frequentador e defensor do Morro da Favela, escreveu “A favela vai abaixo”. Os primeiros versos citavam as casinhas de madeira, cada vez mais retratadas por intelectuais e artistas: “Minha cabrocha/ A Favela vai abaixo/ Quantas saudades tu terás deste torrão/ Da casinha pequenina de madeira/ Que nos enche de carinho o coração”.

Ao contrário do “Rei do Samba”, Agache se referia às favelas como “lepras” e “chagas”. O elevado custo financeiro e a Revolução de 1930, que levou Getulio Vargas ao poder, contribuíram, porém, para que seu projeto fosse arquivado. O governo de Getulio deixou as favelas em paz por algum tempo e chegou a defender, em determinadas instâncias, os seus moradores contra as ações dos proprietários de terrenos. Isso, decerto, reforçava a imagem do presidente como “pai dos pobres”.

"Texto de Rômulo Costa Mattos"

Contratado pelo prefeito Prado Júnior, o urbanista Alfred Agache elaborou, em 1927, um extenso plano de remodelação da cidade do Rio de Janeiro, que incluía a demolição do morro da Favela, situado próximo da zona portuária. Muito discutido pela imprensa, o projeto inspiraria o samba “A favela vai abaixo”, no qual Sinhô protestava contra a ameaça de desabrigo dos moradores: “Minha cabrocha, a Favela vai abaixo / quanta saudade tu terás deste torrão / (…) / vê agora a ingratidão da humanidade / (…) / impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela”.

Contava o poeta Luís Peixoto que o compositor, valendo-se de sua popularidade, chegou a pedir a um ministro de estado sua intercessão junto ao prefeito para que a demolição não se realizasse. Sendo uma das melhores melodias de Sinhô, “A favela vai abaixo” foi destaque numa revista teatral de nome idêntico.

Contrastando com a pesada versão original de Francisco Alves a composição ganhou uma graça especial, bem mais fiel ao estilo do autor, na gravação realizada por Mario Reis, em 1951 (álbum de três discos sobre Sinhô, com preciosos arranjos de Radamés Gnattali). Isso leva a crer que, na dupla formada pelos dois cantores, nos idos de trinta, foi benéfica a influência de Mario sobre Chico, ajudando-o a se desfazer do ranço operístico, incompatível com a interpretação de sambas como este.

"Extraído do site Cifrantiga"

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Valera a pena"

Valerá a pena

Vale a pena abrir de novo as cortinas
Pra minha alma debrucar nas janelas
E outra vez olhar luz do sol
E sentir o cheiro bom do mar
Respirar bem fundo o ar das manhãs
Vale a pena encher a casa de flor
E deixar a mesa posta prá dois
Retornar da Escuridão...
Isso só já valerá...
O amor virá depois....


Valera a pena (Dorival Caymmi) - Jacques Klein(1953)
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Valera a pena (Dorival Caymmi) - Nana Caymmi(2007)

domingo, 24 de maio de 2009

"Taxi lunar"

Taxi lunar

ELA ME DEU O SEU AMOR
EU TOMEI
NO DIA 16 DE MAIO
VIAJEI
ESPAÇONAVE ATROPELADA
PROCUREI
O MEU AMOR APERREADO

APENAS APANHEI NA BEIRA-MAR
UM TÁXI PRA ESTAÇÃO LUNAR

BELA LINDA CRIATURA
BONITA
NEM MENINA NEM MULHER
TEM ESPELHO NO SEU ROSTO
DE NEVE
NEM MENINA NEM MULHER

APENAS APANHEI NA BEIRA-MAR
UM TÁXI PRA ESTAÇÃO LUNAR
PELA SUA CABELEIRA
VERMELHA
PELOS RAIOS DESSE SOL
LILÁS
PELO FOGO DO TEU CORPO
CENTELHA
BELOS RAIOS DESSE SOL

APENAS APANHEI NA BEIRA-MAR
UM TÁXI PRA ESTAÇÃO LUNAR


Taxi lunar (Geraldo Azevedo & Ze Ramalho & Alceu Valenca) - Cristina Amaral(1998)
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Taxi lunar (Geraldo Azevedo & Ze Ramalho & Alceu Valenca) - Ze Ramalho ao vivo(2000)

Taxi lunar (Geraldo Azevedo & Ze Ramalho & Alceu Valenca) - Geraldo Azevedo

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sábado, 23 de maio de 2009

"Samba abstrato"

Samba abstrato

O tempo e o espaço eu confundo
A linha do mundo é uma reta fechada
Périplo, ciclo
Jornada de luz consumida e reencontrada
Não sei de quem visse o começo
Sequer reconheço
O que é meio, o que é fim
Pra viver no seu tempo
É que eu faço viagens no espaço
De dentro de mim
As conjunções improvaveis
De órbitas estáveis
É que eu me mantenho
E venho arimado um verso
Tropeçando universos
Pra achar-te no fim
Nesse tempo cansado de dentro de mim


Samba abstrato (Paulo Vanzolini) - Carlinhos Vergueiro(2003)
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Samba abstrato (Paulo Vanzolini) - Carmen Costa(1974)


A CANÇÃO CONTADA

Mestre supremo do samba paulista, Paulo Vanzolini e sua curiosa personalidade de cientista/boêmio, nas palavras do crítico Antônio Cândido, revela a lírica contundente do compositor e zoólogo, autor de clássicos essenciais da MPB de qualquer tempo.

"Samba abstrato" poderia muito bem ser entendida como alusão ao artista que luta para se manter no palco enquanto muitos tentam lhe fechar as cortinas.

No programa "Roda Viva" na TV, Vanzolini contou:Arnaldo Pedroso Horta era meu maior fã de música. Um dia, nós estávamos no barzinho e ele disse: Tem algum samba novo?. Eu cantei e no dia seguinte estava no Jornal da Tarde: "Samba abstrato". O nome "Samba abstrato" foi o Arnaldo... Quando eu cantei para ele tinha feito, não tinha posto nome ainda, "Samba abstrato". Ele que pôs o nome.

terça-feira, 19 de maio de 2009

"Recordar"

COM ESTE SAMBA, DE NOME SUGESTIVO, COMEMORAMOS NOSSA MILÉSIMA POSTAGEM

Recordar

Recordar é viver
Eu ontem sonhei com você.
(bis)

Eu sonhei,
Meu grande amor,
Que você foi embora,
Logo depois voltou.


Recordar (Aldacir Louro & Aloisio Marins & Jose Macedo) - Gilberto Alves(1955)
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Recordar (Aldacir Louro & Aloisio Marins & Jose Macedo) - Walter Goncalves(1957)


A CANÇÃO CONTADA

O samba "Recordar", foi escolhido por um júri reunido no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, como um dos dez mais populares do carnaval de 1955.

"Quantos beijos"

Quantos beijos

Não andava com dinheiro todo dia
Para sempre dar o que você queria
Mas quando eu satisfazia os teus desejos
Quantas juras... quantos beijos...
Quantos beijos
Quando eu saía
Meu deus, quanta hipocrisia!
Meu amor fiel você traía
Só eu é quem não sabia
Ai ai meu deus mas quantos beijos...
Não esqueço aquelas frases sem sentido
Que você dizia sempre ao meu ouvido
Você porém mentia em todos os ensejos
Quantos juras... quantos beijos...


Quantos beijos (Vadico & Noel Rosa) - Ione papas(2000)
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Quantos beijos (Vadico & Noel Rosa) - Noel Rosa & Marilia Batista(1936)

Quantos beijos (Vadico & Noel Rosa) - Grupo Rumo ao vivo(2004)

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A CANÇÃO CONTADA

Nesta letra Noel ridiculariza o seu ciúme por Ceci, sua grande paixão e a quem dedicou vários sambas. Na partitura impressa consta a dedicatória ao "amigo e ilustre dentista Bruno Moraes". Segundo Almirante, a gravação original, feita em 1936, por Noel e Marília Batista, com um andamento rápido prejudicou a melodia, empanando a sua beleza. Mesmo em sambas de animação carnavalesca, o Poeta da Vila exibe seu lado crítico e por vezes amargo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Paraiba"

Paraíba

Quando a lama virou pedra
E Mandacaru secou
Quando o Ribaçã de sede
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
Carregando a minha dor
Hoje eu mando um abraço
Pra ti pequenina
Paraíba masculina,
Muié macho, sim sinhô
Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô
Eta pau pereira
Que em princesa já roncou
Eta Paraíba
Muié macho sim sinhô
Eta pau pereira
Meu bodoque não quebrou
Hoje eu mando
Um abraço pra ti pequenina
Paraíba masculina,
Muié macho, sim sinhô
Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô
Quando a lama virou pedra
E Mandacaru secou
Quando ribaçã de sede
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
Carregando a minha dor
Hoje eu mando um abraço
Pra ti pequenina
Paraíba masculina,
Muié macho, sim sinhô
Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô
Eta, eta,
muié macho sim sinhô
muié macho macho sim sinhô


Paraiba (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira) - Chico Cesar ao vivo(1995)
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Paraiba (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira) - Luiz Gonzaga(1962)

Paraiba (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira) - Orquestra da Fundacao Cultural de Feliz

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A CANÇÃO CONTADA

Em defesa da mulher paraibana

Entre surpreso e indignado ouvi há alguns dias atrás, num evento do qual participava, uma autoridade do governo federal fazer uma declaração que chocou a platéia, gerando descontentamentos por considerá-la ofensiva à mulher paraibana, que se fazia presente majoritariamente no auditório. Esse palestrante, de forma jocosa, ao se referir aos processos de requerimento de pensão previdenciária feita por pessoas que convivem com outras do mesmo sexo, informou, entre sorrisos de galhofa, que os primeiros processos encaminhados foram, “coincidentemente”, por gaúchos e paraibanas, querendo estereotipar os homens do Rio Grande do Sul e as mulheres da Paraíba como homossexuais. Foi uma infeliz brincadeira.

Na verdade o comportamento dessa autoridade reflete um pensamento estigmatizado que se faz da mulher paraibana, a nível nacional, em razão da malícia popular, que tomando ao pé-da-letra a expressão do refrão da música de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, “A Paraíba”, masculinizou a imagem da mulher paraibana. “Paraíba, masculina/Muié macho, sim sinhô” é o verso cantado na música de Luiz Gonzaga, que fez sucesso nacional, na voz de Emilinha Borba, uma das rainhas do rádio, e repercutiu pejorativamente contra as paraibanas, vinculando o nome PARAíBA ao homossexualismo feminino.

Apesar disso não justificar a grosseira colocação do palestrante, há de se reconhecer que essa música tem contribuído para que país afora as pessoas pensem como ele. Daí, a necessidade de se explicar bem o verdadeiro sentido da expressão de Luiz Gonzaga na sua famosa música.

Gonzaga se inspirou na coragem da Paraíba, que ao lado do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, formaram a Aliança Liberal em 1930, movimento que tinha Getúlio Vargas como candidato a Presidente e João Pessoa como candidato a Vice, contrária às forças políticas situacionistas que levaram Júlio Prestes à se eleger Presidente da República. Isso foi o embrião que deflagrou a Revolução de 30 que mudou o curso da nossa história. Procurava o nosso grande compositor enfatizar o posicionamento do Estado, aí tratado no gênero feminino porque era “a Paraíba”, quando a cidade de Princesa Isabel, chefiada por Zé Pereira, declarou-se território livre e resistiu às tropas do governador Álvaro Pereira. Foram duas demonstrações de coragem atribuídas à Paraíba, tanto de João Pessoa, quanto de Zé Pereira, que levaram Gonzaga a ressaltar a nossa bravura e coragem, por isso colocando “Paraíba, masculina/muié macho, sim sinhô”. Nada em referência à preferência sexual da mulher paraibana.

Gonzaga teria composto essa música por encomenda quando da candidatura de Zé Américo ao governo do estado, originariamente como “jingle” de campanha, mas que provocou forte reação do público presente em um comício, porque foi considerada um insulto à mulher paraibana.

É preciso que façamos uma campanha de esclarecimento a nível nacional, procurando desfazer essa imagem negativa da mulher da Paraíba, que não fica nada a dever às brasileiras de qualquer região, por sua beleza, graça e charme.

Diria até que devemos divulgar mais a música de Genival Macedo, “Meu sublime torrão”, que desde 1973 é oficialmente o hino popular da nossa capital, quando em um dos versos diz:

“ Não tem a fama da baiana, mas a paraibana sabe amar, tem sedução.

Paraíba hospitaleira, morena brasileira do meu coração”.

Tenho orgulho da mulher paraibana, não só por serem belas esteticamente, mas por sua garra, determinação, inteligência, coragem. Espero nunca mais testemunhar um acontecimento tão degradante quanto o que fiz referência acima. Faço deste texto a minha homenagem a todas elas por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Mulher e renovo a minha indignação manifestada na ocasião do evento.

“Escrito por Rui Leitão para portalbip.com”.

"O cavalo de Sao Jorge"

O cavalo de São Jorge

O cavalo de São Jorge foi passear na areia
Vamos fazer samba que o santo guerreiro hoje está na aldeia
Tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia
Oi, tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar sereia
É o que diz o povo:
Que hoje a poliça não contrareia
Tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia
Quando o cavalo de são Jorge corcoveia
O que é que cai de seu alforje, lua cheia
Luz que alumeia quem samba na beira do mar, sereia
Luz que clareia no samba só me faz lembrar Candeia
Vem sambar, que tem samba no mar
Vem sambar que tem samba no mar
Não vadeia quelé, não vadeia, não vadeia
Não vadeia quelé Clementina, não vadeia
Eu queria poder pegar na cintura dela
Mas seu namorado está de olho nela
Mas seu namorado está de olho nela
O cavalo de São Jorge foi passear na areia
Vamos fazer samba enquanto o cavalo de Ogum passeia
Tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia
Oi, tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia...


O cavalo de Sao Jorge (Roque Ferreira & Paulo Cesar Pinheiro) - Nilze Carvalho(2005)
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O cavalo de Sao Jorge (Roque Ferreira & Paulo Cesar Pinheiro) - Roque Ferreira(2003)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Mal-me-quer"

Mal-me-quer

Eu perguntei a um mal-me-quer
Se meu bem ainda me quer
Ela então me respondeu que não
Chorei, mas depois
Eu me lembrei
Que a flor também é uma mulher
Que nunca teve coração.
A flor mulher iludiu meu coração
Mas, meu amor
É uma flor ainda em botão
O seu olhar
Diz que ela me quer bem
O seu amor
É só meu
De mais ninguém...


Mal-me-quer (Cristovao de Alencar & Newton Teixeira) - Orlando Silva(1939)
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Mal-me-quer (Cristovao de Alencar & Newton Teixeira) - Os Tres Morais(1975)

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Lata d'agua"

Lata d'agua

Lata d'água na cabeça
Lá vai Maria
Lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa
pela mão leva a criança
Lá vai Maria

Maria, lava roupa lá no alto
lutando, pelo pão de cada dia
sonhando, com a vida do asfalto
que acaba, onde o morro principia.


Lata d'agua (Luiz Antonio & J. Junior) - Marlene(1952)
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Lata d'agua (Luiz Antonio & J. Junior) - Revista do Samba(2003)

Lata d'agua (Luiz Antonio & J. Junior) - Coral Cenico Unisul da Grande Florianopolis

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A CANÇÃO CONTADA

Usando linguagem cinematográfica, Luis Antonio e Jota Júnior oferecem um flagrante da vida de uma lavadeira do morro no samba "Lata d'Água": "Lata d'água na cabeça / lá vai Maria / lá vai Maria / sobe o morro não se cansa / pela mão leva criança / lá vai Maria". E arrematam a letra contrapondo a dura realidade da favelada ( "Maria lava roupa lá no alto / lutando pelo pão de cada dia...") ao sonho de uma vida melhor no asfalto ("que acaba onde o morro principia").

Uma das raras duplas de talento formadas nos anos cinqüenta para se dedicar ao repertório carnavalesco, Luís Antônio (Antônio de Pádua Vieira da Costa) e Jota Júnior (Joaquim Antônio Candeias Júnior) já tinham feito sucesso no ano anterior com o samba "Sapato de pobre", cantado por Marlene. Na ocasião, capitães do Exército, servindo na Escola Especializada da Academia Militar, os dois passavam diariamente por um morro ao pé do qual uma bica d'água servia aos moradores. A inspiração nasceria ao verem a cena que descreveram na composição: uma crioula barriguda equilibrando uma lata na cabeça, enquanto levava uma criança.

Dias depois, devidamente abastecidos de siri e cachaça, trabalharam no apartamento de Luís Antônio, registrando o samba num gravador de fio. A princípio, Marlene nem queria ouvir "Lata d'Água", não acreditando num repeteco do êxito anterior. Mudou, porém de opinião ao ouvi-la, levando-a ao sucesso no carnaval de 52, em disco que tem arranjo de Radames Gnattali.

“Extraído do blog CIFRANTIGA”

domingo, 10 de maio de 2009

"Juazeiro"

Juazeiro

Juazeiro, juazeiro
Me arresponda, por favor,
Juazeiro, velho amigo,
Onde anda o meu amor
Ai, juazeiro
Ela nunca mais voltou,
Diz, juazeiro
Onde anda meu amor
Juazeiro, não te alembra
Quando o nosso amor nasceu
Toda tarde à tua sombra
Conversava ele e eu
Ai, juazeiro
Como dói a minha dor,
Diz, juazeiro
Onde anda o meu amor
Juazeiro, seje franco,
Ela tem um novo amor,
Se não tem, porque tu choras,
Solidário à minha dor
Ai, juazeiro
Não me deixa assim roer,
Ai, juazeiro
Tô cansado de sofrer
Juazeiro, meu destino
Tá ligado junto ao teu,
No teu tronco tem dois nomes,
Ele mesmo é que escreveu
Ai, juazeiro
Eu num güento mais roer,
Ai, juazeiro
Eu prefiro inté morrer.
Ai, juazeiro...


Juazeiro (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira) - Dominguinhos & Jane Duboc(1997)
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Juazeiro (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira) - Quinteto Violado(1983)

Juazeiro (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira) - Elba Ramalho ao vivo

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"Insensatez"

Insensatez

Sim,
Eu pensei que pudesse te ver sem sofrer
Sem perturbar-me, sem nada sentir, sem ceder
Foi pensando em te olhar com desdém
Foi querendo humilhar-te também
Que atendi teu chamado e no fim
Que vergonha que sinto de mim
Eu só vim pra beijar-te outra vez
Pra querer-te com insensatez
Só nasci pra seguir os teus passos
Morrer em teus braços


Insensatez (Horondino Silva & Augusto Mesquita) - Mariana Baltar(2007)
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Insensatez (Horondino Silva & Augusto Mesquita) - Paulinho Moska & Epoca de Ouro(2002)

sábado, 9 de maio de 2009

"Homenagem ao malandro"

Homenagam ao malandro

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem,
que conheço de outros
carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal,
o que dá de malandro
regular profissional,
malandro com o aparato de
malandro oficial,
malandro candidato
a malandro federal,
malandro com retrato
na coluna social;
malandro com contrato,
com gravata e capital, que
nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha,
tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe, chacoalha, no trem da central


Homenagem ao malandro (Chico Buarque) - Ana Martins(2005)
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Homenagem ao malandro (Chico Buarque) - Garganta Profunda(2007)

Homenagem ao malandro (Chico Buarque) - Chico Buarque ao vivo

video


A CANÇÃO CONTADA

Nota sobre Homenagem ao malandro
Por Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

A época da estréia do musical "Ópera do Malandro", Chico Buarque descreveu e justificou o ambiente da peça em entrevistas a Isto É e Manchete: "Nós pegamos a Lapa, os bordéis, os agiotas, os contrabandistas, os policiais corruptos, os empresários inescrupulosos. (...) Tomamos como ponto de partida o que o italiano chama de Malacittá, o bas fond. Esta Lapa (que) começava a morrer era o prenúncio de uma série de outras mortes: da malandragem, de Madame Satã, de Geraldo Pereira, de Wilson Batista. Foi o fim da era de ouro do sambista urbano carioca. "Essa história está contada na letra de "Homenagem ao Malandro", uma das melhores composições do musical: "Eu fui fazer um samba em homenagem / à nata da malandragem que conheço de outros carnavais / eu fui à Lapa e perdi a viagem / que aquela tal malandragem não existe mais..." E prossegue, retratando o "novo" malandro, "o malandro profissional", "oficial", "candidato a malandro federal", arrematando: "Mas o malandro pra valer / - não espalha-/ aposentou a navalha / (...) / até trabalha / mora lá longe e chacoalha / num trem da Central..." "Homenagem ao Malandro" é um samba rasgado, com direito a solo de trombone do grande Maciel, breques e uma adequada interpretação de Chico Buarque. No álbum duplo do musical, só lançado em dezembro de 79, este samba é cantado pelo malandro Moreira da Silva, que vive assim o personagem João Alegre.

Fonte: Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 34

"Ginga, Angola"

Ginga, Angola

Ginga, Angola! Não chora povo bantu!
Canta, Congo, no jongo e no caxambu! (REFRÃO - BIS)

Lá nas terras de Matamba
Quando o sol me viu nascer
Minha tia, Sinhá Samba,
Lavou meu camutuê
Com folhinhas de mutamba
Que ganhou de Catendê.
(REFRÃO)
Meu pai é Lembarenganga
Caviungo é meu avô
Sou a paz de Zumbaranda
Flecha de Mutalambô
Sou as águas da Quianda
Sob as cores de Angorô.
(REFRÃO)
Na toada do quiçanje
Na batida do gonguê
Sou o rei Jaga-Caçanje
Sou couro de munganguê
Danço pra Cambarangüanje
Canto alto pra esquecer
(REFRÃO)


Ginga, Angola (Nei Lopes) - Nei Lopes(1996)
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Ginga, Angola (Nei Lopes) - Roberto Ribeiro(1987)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

"Nova ilusao"

Nova ilusão

É dos teus olhos a luz
Que ilumina e conduz
Minha nova ilusão
É nos teus olhos que eu vejo
O amor, o desejo do meu coração
És um poema na terra
Uma estrela no céu, um tesouro no mar
És tanta felicidade
Que nem a metade consigo exaltar
Se um beija-flor descobrisse
A doçura e a meiguice
Que teus lábios têm
Jamais roçaria as asas brejeiras
Por entre roseiras em jardins de ninguém
Oh, dona dos sonhos
Ilusão concebida
Surpresa que a vida
Me fez das mulheres
Há em meu coração
Uma flor em botão
Que abrirá se quiseres


Nova ilusao (Claudionor Cruz & Pedro Caetano) - Terezinha de Jesus(1982)
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Nova ilusao (Claudionor Cruz & Pedro Caetano) - Ze da Velha & Silverio Pontes(1995)

Nova ilusao (Claudionor Cruz & Pedro Caetano) - Zelia Dunca & Hamilton de Holanda

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A CANÇÃO CONTADA

“Nova ilusão” é um chorinho de 1941, cuja composição é creditada a Claudionor Cruz (1910-1995) e Pedro Caetano(1911-1992).


A primeira gravação de “Nova ilusão” foi feita por Lucio Alves ainda no começo dos anos 50 e foi inspirada na melodia de “Da cor do pecado”, de Bororó. Com o sucesso da música “Da cor do pecado”, os compositores Pedro Caetano e Claudionor Cruz foram desafiados por Silvio Caldas a escrever uma canção que com ela concorresse e rivalizasse. Impossibilitados de se encontrar, Pedro Caetano fez uma nova letra e Claudionor compõs outra melodia em cima da métrica da letra de Bororó. Assim nasceu “Nova ilusão”. Pedro Caetano orgulhava-se de ter recebido um prêmio de melhor letra de choro de todos os tempos por versos como:

“És um poema na terra, uma estrela no céu, um tesouro no mar,
És tanta felicidade, que nem a metade consigo exaltar”.


A canção esteve na trilha sonora do filme/documentário “Nelson Gonçalves – O Filme” (2001 – Nelson Gonçalves)

"Extraído do site Museu da Canção"


terça-feira, 5 de maio de 2009

"Farinha"

Farinha

A farinha é feita de uma planta da família das
euforbiáceas, euforbiáceas
de nome manihot utlíssima que um tio meu apelidou de macaxeira
e foi aí que todo mundo achou melhor!...
a farinha tá no sangue do nordestino
eu já sei desde menino o que ela pode dar
e tem da grossa, tem da fina se não tem da quebradinha
vou na vizinha pegar pra fazer pirão ou mingau
farinha com feijão é animal!
o cabra que não tem eira nem beira
lá no fundo do quintal tem um pé de macaxeira
a macaxeira é popular é macaxeira pr`ali, macaxeira pra cá
e em tudo que é farinhada a macaxeira tá
você não sabe o que é farinha boa


Farinha (Djavan) - Djavan(2001)

Farinha (Djavan) - Nos Quatro(2003)

Farinha (Djavan) - Djavan ao vivo

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sexta-feira, 1 de maio de 2009

"E isso que eu mereco"

É isso que eu mereço

Um dia me trata direito
No outro amanhece pelo avesso
Eu pergunto a você
Meu bem é isso que eu mereço?
Sou tranquila
Sou serena
Na roda de samba chego devagar
Ligo de verso de improviso
A quem me desafiar
Só em casa não consigo
Manter a situação
E me esculacha sem verso
É quem mais manda no meu coração
O que você prometeu
Ficou só no prometido
Diz que é cobra venenosa
E não tá certo comigo
Solta os bichos a toda hora
Só pra me botar defeito
Tenha santa paciência
Isso não está direito


E isso que eu mereco (Zecao & Jovelina Perola Negra) - Jovelina Perola Negra & Cassiana(2007)
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E isso que eu mereco (Zecao & Jovelina Perola Negra) - Veronica Sabino(1995)
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