terça-feira, 29 de junho de 2010

"As minhas meninas"

As minhas meninas






Olha as minhas meninas
As minhas meninas
Pra onde é que elas vão
Se já saem sozinhas
As notas da minha canção
Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim
Passam por mim
E embaraçam as linhas

Da minha mão
As meninas são minhas Só minhas
Na minha ilusão
Na canção cristalina
Da mina da imaginação
Pode o tempo marcar seus caminhos
Nas faces com as linhas
Das noites de não
E a solidão maltratar as meninas

As minhas não
As meninas são minhas
Só minhas
As minhas meninas
Do meu coração


As minhas meninas (Chico Buarque) - Barbara Casini & Lee Konitz(2002)
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As minhas meninas (Chico Buarque) - Quarteto em Cy(1999)

As minhas meninas (Chico Buarque) - Projeto Meretrio ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

As minhas meninas (Chico Buarque) - Chico Buarque (1987)
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terça-feira, 22 de junho de 2010

"Beatriz"

Beatriz

Olha Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia

Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia
Despencar do céu
E se os pagantes exigirem biz
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida


Beatriz (Edu Lobo & Chico Buarque) - Claudya & Zimbo Trio(1994)
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Beatriz (Edu Lobo & Chico Buarque) - Edu Lobo & Milton Nascimento(1995)

Beatriz (Edu Lobo & Chico Buarque) - Gal Costa & Jaques Morelenbaum(1996)

Beatriz (Edu Lobo & Chico Buarque) - Marianna Leporace & Sheila Zagury(2000)

Beatriz (Edu Lobo & Chico Buarque) - Tom da Terra(1995)

Beatriz (Edu Lobo & Chico Buarque) - Elenora Greca & Wanderley Lopes ao vivo(2008)


A CANÇÃO CONTADA

Notas sobre Beatriz
Por Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

Letra

"O médico de câmara da imperatriz Teresa - Frederico Knieps / resolveu que seu filho também fosse médico / mas o rapaz fazendo relações com a equilibrista Agnes / com ela se casou, fundando a dinastia do Circo Knieps." Com esses versos Jorge de Lima começava em 1938 o poema surrealista "O Grande Circo Místico", inspirado num fato real ocorrido na Áustria no século XIX. Quarenta e cinco anos depois, Edu Lobo e Chico Buarque criariam a trilha musical para um bailado homônimo, baseado no poema, atendendo a uma encomenda do Balé Guaíra, do Paraná. No repertório composto, com relevantes arranjos do maestro Chiquinho de Morais, destacou-se a valsa "Beatriz", uma metáfora da vida de atriz, também surrealista e de excepcional qualidade: "Olha / será que é uma estrela / será que é mentira / será que é comédia / será que é divina / a vida da atriz..." De interpretação difícil, em razão de sua extensão vocal, dos intervalos melódicos e das modulações, "Beatriz" ganhou uma gravação definitiva de Milton Nascimento clique aqui!, que afir-ma: "'Beatriz' é minha." Edu fez a música em tempo relativamente curto, com "a certeza de que ia ficar legal", ao contrário de Chico, que demorou para completar a letra, sendo a composição uma das últimas do bailado a ser concluída. A escolha de Milton para intérprete foi resolvida de imediato pelos autores, pois somente ele, com a naturalidade de que é capaz de fazer a passagem da voz normal para o falsete, poderia gravar "Beatriz". Na hora da gravação, Milton ficou no estúdio apenas com o pianista Cristóvão Bastos e na terceira tomada cantou a versão escolhida. Posteriormente, foram acrescentadas umas pinceladas de cordas pelo arranjador Chiquinho de Morais. Sem jamais ter entrado em paradas de sucesso, "Beatriz" acumulou prestígio ao longo do tempo, impondo-se por sua beleza como um clássico da moderna música brasileira. Do começo ao fim, sua partitura tem um desenvolvimento encantador, no mesmo nível de criação dos grandes compositores de qualquer época ou país. No formato A-A-B-A, a melodia de A parte de uma célula ("será que ela é moça"), aproveitada cinco vezes em movimento harmônico ascendente, com pequenas alterações, destacando-se os acidentes na última, sobre as sílabas "rosto", do verso "o rosto da atriz". Segue-se ainda em A uma sucessão de colcheias ("se ela dança no sétimo céu"), culminando em duas notas longas (semínimas pontuadas na palavra "vida"), que funcionam como uma pausa e, na repetição de A, como preparação para a segunda parte. Em B a tonalidade sobe uma quinta aumentada, pois a modulação que vem de mi bemol passa a si natural. Neste ponto a interpretação se torna ainda mais difícil , tanto por se atingir a nota mais grave da composição , na palavra "chão" (da frase "me ensina a não andar com os pés no chão"), quanto pelos saltos melódicos, acrescidos de outros acidentes primorosamente colocados, como no verso "quantos desastres tem na minha mão". Tempos depois de a música gravada, Edu e Chico descobriram uma coincidência: a nota mais grave da canção cai na palavra "chão" e a mais aguda na palavra "céu".

Entrevista para a Revista Nossa América

Letra

Chico: - E só tem graça aceitar uma encomenda quando você pode ser infiel ao que foi encomendado, quando você pode tomar certas liberdades. Quando eu estava fazendo as letras para as músicas de Edu Lobo, no balé "O grande circo místico", havia um tema para a equilibrista que eu não conseguia solucionar. No poema de Jorge de Lima, a equilibrista se chamava Agnes, que aliás é um belo nome, mas a letra não saía. Então troquei Agnes por Beatriz, transformei a equilibrista em atriz e coloquei-a no sétimo céu, em homenagem à Beatrice Portinari, de Dante. Beatriz carregando minhas obsessões..."

Acompanhados por Cristovao Bastos, Edu lobo e Chico Buarque contam a história e cantam "Beatriz":

http://www.youtube.com/watch?v=sot-VtDsv3U




sexta-feira, 11 de junho de 2010

"Senhorinha"

Senhorinha

Senhorinha, moça de fazenda antiga, prenda minha
Gosta de passear de chapéu, sombrinha
Como quem fugiu de uma modinha

Sinhazinha, no balanço da cadeira de palhinha
Gosta de trançar seu retrós de linha
Como quem parece que adivinha (amor)

Será que ela quer casar
Será que eu vou casar com ela
Será que vai ser numa capela
De casa de andorinha

Princesinha, moça dos contos de amor da carochinha
Gosta de brincar de fada-madrinha
Como quem quer ser minha rainha

Sinhá mocinha, com seu brinco e seu colar de água-marinha
Gosta de me olhar da casa vizinha
Como quem me quer na camarinha (amor)

Será que eu vou subir no altar
Será que irei nos braços dela
Será que vai ser essa donzela
A musa desse trovador

Ó prenda minha, ó meu amor
Se torne a minha senhorinha


Senhorinha (Guinga & Paulo Cesar Pinheiro) - Hamilton de Holanda(2007)

Senhorinha (Guinga & Paulo Cesar Pinheiro) - Monica Salmaso(1999)

Senhorinha (Guinga & Paulo Cesar Pinheiro) - Nana Caymmi(2009)

Senhorinha (Guinga & Paulo Cesar Pinheiro) - Dani Spielmann & Marcelo Goncalves ao vivo(2009)

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Senhorinha (Guinga & Paulo Cesar Pinheiro) - Duo Maia/Sampaio

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A CANÇÃO CONTADA

Guinga fez essa música pensando em suas duas filhas quando eram pequenas. Foi quando ele visitou uma fazendo no Estado do Rio de Janeiro com a filhinha mais nova que era muito doente, não se alimentava e chegou quase a morrer e nesse dia ela esteve muito bem, se alimentando, se divertindo, sorrindo. Quando Guinga chegou em casa ele compôs essa música e dedicou a sua filha. Contou essa história para o Paulo Cesar Pinheiro sobre esse dia maravilhoso e foi aí que ele colocou a letra falando sobre essa moça de fazenda. Ele próprio conta a história num trecho do filme "Brasileirinho" e em seguida acompanha Zezé Gonzaga interpretando "Senhorinha". A gravação foi feita no Teatro Municipal de Niterói:

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"Senhorinha" teve sua primeira gravação (Ronnie Von) incluída na trilha da telenovela "Sinhá-Moça" em 1986 com o nome de "Sinhaninha" clique aqui! , já o autor (Guinga) só foi gravá-la em 2003 clique aqui! .

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Vim"

Vim

Vim com minhas dores, meus medos
Te contar tantos segredos
Como se eu fosse um amigo
Vim com uma canção tão dolorida
Tanto a vida mal vivida
No silêncio onde me abrigo
Vim e vim dizer-te o que já sabem
O medo e a dor não cabem
Nesse amor que eu inventei
Vim e trago hoje uma saudade
De mim mesmo, eis a verdade
Tantos rumos, tanta vida...
E só hoje te encontrei.


Vim (Eduardo Souto Neto & Sergio Bittencourt) - Pedrinho Mattar(1971)
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Vim (Eduardo Souto Neto & Sergio Bittencourt) - Taiguara(1969)

Vim (Eduardo Souto Neto & Sergio Bittencourt) - Waleska(1974)