Quisera saber agora Quisera saber agora Se esqueceste, Se esqueceste, Se esqueceste o juramento Quem sabe se és constante?! S'inda é meu teu pensamento Minh'alma toda devora Da saudade, da saudade agro tormento. Vivendo de ti ausente, Ai meu Deus, Ai meu Deus, que amargo pranto! Suspiros, angústia e dores São as vozes, são as vozes do meu canto Quem sabe Pomba inocente Se também te corre o pranto Minh'alma cheia d'amores Te entreguei já neste canto.
Quem sabe (Carlos Gomes & Bittencourt Sampaio) - ElyCamargo(1964)
Quem sabe (Carlos Gomes & Bittencourt Sampaio) - Cleidiane Santos ao vivo
A CANÇÃO CONTADA
Nascido em Campinas (SP), Antonio Carlos Gomes, partiu no ano de 1859 (com pouco mais de 20 anos), em turne com o irmão e o amigo Henrique Luiz Levy. Ao chegar na capital Paulista, se aproximou dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Em homenagem aos novos companheiros, compôs o "Hino Acadêmico" e pensando no seu primeiro amor (Ambrosina), a modinha"Quem sabe", de uma poesia de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio, obras que o tornaram conhecido entre as repúblicas estudantis de então e ainda são cantadas até os dias de hoje.
Quem sabe (Carlos Gomes & Bittencourt Sampaio) - Agnaldo Timóteo ao vivo(2008)
Vento que balança as palhas do coqueiro Vento que encrespa as ondas do mar Vento que assanha os cabelos da morena e traz noticias de lá Vento que assobia no telhado chamando para a lua espiar ô ou vento que na beira lá da praia escutava o meu amor a cantar (nem que seja triste, seja triste, seja só nem que seja triste, seja triste, seja só)
Vento, vento diga por favor aonde se escondeu o meu amor (nem que seja triste, seja triste, seja só)
Vento, vento diga por favor aonde se escondeu o meu amor (nem que seja triste, seja triste, seja só)
Prece ao vento (Gilvan Chaves & Fernando Luis & Alcyr Pires Vermelho) - Wilson Simonal(1969)
Em 01/03/1975, o jornalista Aramis Millarch escreveu:
“Uma prova de quando é importante um bom produtor na carreira de uma cantora é o último elepê de Eliana Pittman, filha (adotiva do admirável Booker Pittman (1909-1969.
Animada, talvez pelo sucesso de "Das 200 prá lá" um dos primeiros sambas de João Nogueira a ganhar gravação e projeção, Eliana Pitman decidiu assumir-se como sambista, já que tem tudo para entrar na categoria das grandes vocalistas de nosso samba, onde brilham, atualmente, com intensidade os nomes de Beth Carvalho e Clara Nunes.
Trocando a Odeon pela RCA Victor e ali tendo a facilidade de ganhar como produtor o admirável e competente Sérgio Cabral, Eliana Pittman começa praticamente uma nova carreira a partir deste "Tô chegando já cheguei" (Victor, 103.0084, outubro/74).
Sérgio Cabral, um homem que sabe das coisas de nossa música, escolheu um repertório apropriado à voz de Eliana, brasileiríssimo e de fácil comunicabilidade. Assim o disco abre com um samba inédito que dá titulo ao disco.
Quatro sambas novos complementam o lado A deste elepê, todos do melhor nível, sendo um deles, "Abandono" de Ivor Lancellotti, uma das revelações de 1974, já com um bom números de trabalhos gravados.....”clique aqui!
Em 1979 a canção foi incuída no disco anual do Roberto Carlos, passando, a partir daí, a fazer parte da vitrine do cancioneiro popular, graças à intervenção do grande intérprete, que a levou até para fora do paísclique aqui!.
Em 1980, fez parte da trilha sonora da novela global “Olhai os lírios do campo”, na voz do autor clique aqui!.
O ciume (Caetano Veloso) - Gal Costa & Caetano Veloso
A CANÇÃO CONTADA
"O ciúme no ponto negro de Caetano"
Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
Existem canções, ou poesias, ou imagens que são paradoxais: explodem no coração tão universais como se todos compreendessem igual, ao mesmo tempo que trazem experiências pessoais que nem o compositor imaginou. Feito desde a primeira vez em que ouvi a música “O Ciúme” de Caetano Velloso. Seguramente a Bahia litorânea de Caetano não era a minha, mas Juazeiro e Petrolina eram, mesmo sendo esta pernambucana. Como os amores que atordoaram minha incompletude em plena Ilha do Fogo. Ou na Praça da Matriz, na Rua da Apolo, um acarajé no fim de tarde.
O ciúme lançou sua flecha preta E acertou no meio exato da garganta Quem nem alegre nem triste nem poeta Entre Petrolina e Juazeiro canta Velho Chico vens de Minas
E a primeira vez que a ouvi ou pelo menos prestei atenção na sua letra foi pela voz de Maria Bethania em disco não tão remoto no tempo (clique aqui!). Mas o ciúme veio de longe, pelo leito do São Francisco desde as alterosas do sudeste, no planalto da Serra da Canastra.
De onde o oculto do mistério se escondeu Sei que o levas todo em ti, não me ensinas E eu sou só, eu só, eu só, eu Juazeiro, nem te lembras dessa tarde Petrolina, nem chegaste a perceber Mas, na voz que canta tudo ainda arde
O ciúme, gêiser inesperado de águas geladas, cortantes como navalha de congelador. Misterioso como as serras de Minas, ensimesmadas numa cadeia de centenas de quilômetros, tão volumosas como o próprio oculto do ciúme. Tão exuberantes como o espontâneo do amor.
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê Tanta gente canta, tanta gente cala Tantas almas esticadas no curtume Sobre toda estrada, sobre toda sala Paira, monstruosa, a sombra do ciúme
E Juazeiro me era um contínuo desde o curtume até a loja de couros. Camurças, solas, solados. Esticada película de um mundo em transformação, tão corrente como as águas do rio, mas tão permanentes como a ponte que ainda hoje é.
Na subida do morro me contaram Que você bateu na minha nêga Isso não é direito Bater numa mulher Que não é sua Deixou a nêga quase nua No meio da rua A nêga quase que virou presunto Eu não gostei daquele assunto Hoje venho resolvido Vou lhe mandar para a cidade De pé junto Vou lhe tornar em um defunto
Você mesmo sabe Que eu já fui um malandro malvado Somente estou regenerado Cheio de malícia Dei trabalho à polícia Prá cachorro Dei até no dono do morro Mas nunca abusei De uma mulher Que fosse de um amigo Agora me zanguei consigo Hoje venho animado A lhe deixar todo cortado Vou dar-lhe um castigo Meto-lhe o aço no abdômen E tiro fora o seu umbigo
Aí meti-lhe o aço, hum! Quando ele ia caindo disse: - Morangueira você me feriu! Eu então disse-lhe: - É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. - Você sabe quem em casa de vagabundo malandro não pede emprego. - Como é que você vem com xavecada, está armado; eu quero é ver gordura que a banha está cara.
Aí meti a mão lá na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e fiz-lhe uma trepagem; ele caiu, bum todo ensangüentado;
E as senhoras como sempre nervosas: - Meu Deus esse homem morre, moço. - Coitado olha aí está se esvaindo em sangue; - Ora minha senhora, dê-lhe óleo canforado, penicilina, estreptomicina crebiose, hidrazida e até vacina Saibe;
Mas o homem já estava frio; Agora o malandro que é malandro não denuncia o outro, espera para tirar a forra. Então diz o malandro:
Vocês não se afobem Que o homem dessa vez Não vai morrer Se ele voltar dou prá valer Vocês botem terra nesse sangue Não é guerra, é brincadeira Vou desguiando na carreira A justa já vem E vocês digam Que estou me aprontando Enquanto eu vou me desguiando Vocês vão ao distrito Ao delerusca se desculpando Foi um malandro apaixonado Que acabou se suicidando.
Na subida do morro (Moreira da Silva & Ribeiro Cunha) - Moreira da Silva ao vivo(1973)
Na subida do morro (Moreira da Silva & Ribeiro Cunha) - Moreira da Silva & Ney Matogrosso
A CANÇÃO CONTADA
O texto abaixo foi extraído do blog "Macacofonia":
E o breque do meio da semana é hoje com samba de “Kid Morengueira”, o gatilho mais rápido do oeste, que sempre gostou de cinema e aqui aparece cantando “Na subida do morro” no filme “Maria 38″ (1960), de Watson Macedo:
Música adequada para um pratão de feijoada, “Na subida do morro” conta a vingança de um malandro contra outro que bateu em sua mulher:Aí meti a mão lá na duana, na peixeira (…), peguei o Vargolino pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum!, todo ensangüentado.
Vendo o número musical isolado do filme, a cena é meio bizarra, com Moreira gingando e detalhando sua “cirurgia” no rival, enquanto os espectadores fumam e conversam impassíveis à malemolência morenguesca.
De sobremesa, um pudim: a gravação que Jards Macalé fez da mesma música, em “Macalé canta Moreira” (2001), seu disco-homenagem ao inventor do samba de breque, com participação de Zeca Baleiro. Tá na mesa:clique aqui!
No palco, na praça, no circo, num banco de jardim Correndo no escuro, pichado no muro Você vai saber de mim Mambembe, cigano Debaixo da ponte, cantando Por baixo da terra, cantando Na boca do povo, cantando
Mendigo, malandro, moleque, molambo, marginal Escravo fugido ou louco varrido Vou fazer meu festival Mambembe, cigano Debaixo da ponte, cantando Por baixo da terra, cantando Na boca do povo, cantando
Poeta, palhaço, pirata, corisco, errante judeu Dormindo na estrada, não é nada, não é nada E esse mundo é todo meu Mambembe, cigano Debaixo da ponte, cantando Por baixo da terra, cantando Na boca do povo, cantando
Mambembe (Chico Buarque) - Ze Luiz Mazziotti ao vivo
A CANÇÃO CONTADA
Até pode dar-se o caso de que, afinal, não venha a ser a beleza a salvar o mundo... mas a verdade é que nos ilumina a existência. A beleza deste vídeo é, muito mais do que a canção ("Mambembe"), o gozo que o Chico e a Roberta Sá retiram deste momento a dois (a três, contando com o excelente guitarrista Marcello Gonçalves)... e a cumplicidade que escorre de cada olhar, de cada gesto, de cada palavra. Este nível de cumplicidade aperta os poros e faz levantar o pelos dos antebraços...
O Chico é o Chico e a Roberta Sá, a voz mais serena e bonita da nova música brasileira.
Extraído do blog “Cantigueiro”
"Mambembe" fez parte da trilha sonora do filme "Quando o carnaval chegar" de Cacá Diegues.
Serei, serei leal contigo, quando eu cansar dos teus beijos te digo e tu também liberdade terás Pra quando quiseres bater a porta sem olhar pra trás se o teu corpo cansar dos meus braços se o teu ouvido cansar da minha voz quando teus olhos cansarem dos meus olhos não é preciso haver falsidade entre nós serei, serei leal contigo....
Lealdade (Wilson Batista & Jorge de Castro) - Caetano Veloso ao vivo(1986)
"Sei que a grande maioria adora o João Gilberto (inclusive eu!). Por isso, não vou deixar que essa conversa passe 'no batido', mas sim na batida... no toque do Midas, o grande João Gilberto!
Desta vez temos uma coletânea, reunindo momentos de apresentações ao vivo feitas pelo João em épocas e lugares distintos. Essas gravações, autênticos 'bootlegs', foram selecionadas e trabalhadas pelo meu amigo Christophe Rousseau e na parceria eu criei a capinha (gostaram?).
Temos 14 momentos do artista em apresentações que se iniciam em Recife, seguindo depois para outros lugares que não foi possível identificar e nem saber a data. Há também registros de encontro com o Astrud e o saxofonista americano Stan Getz, certamente feito nos 'States'. Eu acredito que algumas coisas aqui nunca chegaram a ser gravadas oficialmente por Ele. As gravações estão em muito boa qualidade e tratadas pelo Chris ficaram ainda melhor.
Sem dúvida, ouvir João Gilberto ao vivo é outra coisa. Seu carisma se faz presente apenas ao ouvi-lo e ao vivo fica inda mais evidente essa sensação. Minha intenção ao fazer esta postagem foi mais uma vez a de demonstrar o quanto Ele é importante para mim, para você e para todos os que estão vivos"clique aqui!
BOAS: Estamos adicionando diariamente, às postagens anteriores, letras das canções e vídeos. Vale a pena conferir!
MÁS: O mediafire apagou vários dos links que postamos. Pedimos a colaboração do todos para que nos avise nos comentários e caso seja do interesse, nós repostaremos.