quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Teleco-teco"

Teleco-teco

Teleco-teco teco-teco teco-teco
Ele chegou de madrugada batendo tamborim
Teleco-teco teco teleco-teco
Cantando "Praça Onze",
dizendo "foi pra mim"
Teleco-teco teco-teco teco-teco
Eu estava zangada e muito chorei
Passei a noite inteira acordada
E a minha bronquite assim comecei

Você não se dá o respeito
Assim desse jeito, isso acaba mal
você é um homem casado
Não tem o direito de fazer carnaval?
Ele abaixou a cabeça, deu uma desculpa e eu protestei
Ele arranjou um jeitinho, me fez um carinho e eu
perdoei


Teleco-teco (Marino Pinto & Murillo Caldas) - Aracy de Almeida(1958)
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Teleco-teco (Marino Pinto & Murillo Caldas) - Isaura Garcia & Conjunto de Benedito Lacerda(1942)

domingo, 27 de setembro de 2009

"Serra do luar"

Serra do luar

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descansar

Viver é afinar o instrumento (de dentro)
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro


Serra do luar (Walter Franco) - Leila Pinheiro(1991)
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Serra do luar (Walter Franco) - Walter Franco(1981)

Serra do luar (Walter Franco) - Naima ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

Mais do que simples letras construídas em estrofes e melodias, Walter Franco distribui palavras, emblemáticas poesias concretas, multifacetadas em suas colagens e com uma visão muito filosófica e, por que não, estranha das vicissitudes da vida – “Viver é afinar um instrumento a toda hora, de dentro pra fora, de fora pra dentro” (*). São letras que servem como uma via de mão dupla - a da canção e a da parcimônia palavra propriamente dita.

(*) trecho da letra da canção “Serra do luar” que participou do festival, MPB-Shell em 1981.

“Jairo Lavia em 09/08/2005”

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Refavela"

Refavela

AIaiá, kiriê
Kiriê, iaiá

A refavela
Revela aquela
Que desce o morro e vem transar
O ambiente
Efervescente
De uma cidade a cintilar

A refavela
Revela o salto
Que o preto pobre tenta dar
Quando se arranca
Do seu barraco
Prum bloco do BNH

A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó

A refavela
Revela a escola
De samba paradoxal
Brasileirinho
Pelo sotaque
Mas de língua internacional

A refavela
Revela o passo
Com que caminha a geração
Do black jovem
Do black-Rio
Da nova dança no salão

Iaiá, kiriê
Kiriê, iaiá

A refavela
Revela o choque
Entre a favela-inferno e o céu
Baby-blue-rock
Sobre a cabeça
De um povo-chocolate-e-mel

A refavela
Revela o sonho
De minha alma, meu coração
De minha gente
Minha semente
Preta Maria, Zé, João

A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó

A refavela
Alegoria
Elegia, alegria e dor
Rico brinquedo
De samba-enredo
Sobre medo, segredo e amor

A refavela
Batuque puro
De samba duro de marfim
Marfim da costa
De uma Nigéria
Miséria, roupa de cetim

Iaiá, kiriê
Kiriê, iáiá.


Refavela (Gilberto Gil) - Gilberto Gil(1977)
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Refavela (Gilberto Gil) - Nair Candia & Jaime Alem(2001)

Refavela (Gilberto Gil) - Gilberto Gil ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

Ao sair do Ministério, Gilberto Gil ofereceu a Lula, como jinglemarca para todo governo, sua música "Refazenda" (1975). “Esse governo significa uma refazenda extraordinária para o país. O presidente me relatava há pouco o avanço da agricultura familiar com os biocombustíveis”, dizia o cantor-ex-ministro. Já em "Refavela" (1977), composta por ele depois de uma viagem à África, o cantor propunha outra imagem para nosso afro-país: “A refavela / Revela o choque / Entre a favela-inferno e o céu / (…) A refavela / Alegoria / Elegia, alegria e dor / Rico brinquedo / De samba-enredo / Sobre medo, segredo e amor”. Qual das duas imagens você acha mais sugestiva para o atual momento do Brasil?

Evidentemente, o artista está muito acima do político (o que não é raro). Acho que a declaração do ex-ministro e a bela e utópica letra da canção demonstram apenas uma grande verdade: é mesmo melhor que ele saia cantando do que falando.

"Publicado em 24/09/2008 por Francisco Alambert, que formou-se historiador em 1987 pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e fez mestrado (1991) e doutorado (1998) em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), instituição da qual é professor titular desde 2003".

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Quase fui lhe procurar"

Quase fui lhe procurar

Eu pensei em lhe falar
Quase fui lhe procurar
Mas evitei, e aqui fiquei
Sofrendo tanto a esperar

Que um dia você por fim
Talvez voltasse para mim
Mas me enganei, então eu vi
O longo tempo que perdi

E agora, eu não sei mais por que
Não consigo lhe esquecer
Eu quero lhe pedir para deixar
Pelo menos, lhe encontrar pra dizer

Que errei
Mas se você me aceitar
Vou prometer
Recomeçar um grande amor
Que por tão pouco acabou, que por tão pouco acabou


Quase fui lhe procurar (Getulio Cortes) - Luiz Melodia(1997)
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Quase fui lhe procurar (Getulio Cortes) - Roberto Carlos(1968)

Quase fui lhe procurar (Getulio Cortes) - Gil & Ale

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A CANÇÃO CONTADA

“Quase fui lhe procurar”. Essa foi uma canção que fiz despretensiosamente, mas que caiu no gosto popular. Roberto (Carlos) gosta tanto que até a regravou em 1995. Para mim foi uma surpresa muito agradável. Eu não esperava. Acho que ele quis me prestar uma homenagem, numa época em que eu estava passando por uma situação difícil.

Sérgio Motta, irmão do Mauro Motta, é muito meu amigo e me disse que Roberto queria me ver. Fui ao estúdio onde ele estava gravando. Foi um encontro muito legal. Ele me perguntou se eu tinha alguma música nova. Eu havia feito uma com o Hélio Justo, mas era num estilo muito antigo e Roberto não gostou. Então resolveu regravar “Quase fui lhe procurar”.

A regravação eu ouvi, pela primeira vez no rádio, mas antes houve um momento de grande alegria na minha vida. Eu liguei para a Sony, para saber dos direitos autorais, e recebi um recado para ligar para o escritório do Roberto, em São Paulo. Eu estava na TELERJ, em Madureira (Rio de Janeiro), e de lá mesmo liguei para São Paulo. Eu não sei como eles me colocaram em contato com o Roberto, que estava no estúdio em Miami. Falei direto com ele, que me contou que tinha regravado a minha música. Imagine que ele ainda me perguntou se eu estava feliz. Eu nem mesmo acreditei que estava falando com ele e perguntei: É você mesmo, Charles? É assim que eu o chamo, Charles.

“Entrevista dada por Getulio Cortes à Carlos Eduardo F. Bittencourt, em 1998”.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

"Para-raio"

Para-raio

Descalço num pequeno espaço
Deitado em quarto crescente
Pálido, cálido, espírito ausente
Calado, de corpo fechado
Não traço, não sigo, não sou obrigado
Não faço segredo, não sou bem dotado
Cabeça feita, visão na estrada
Esqueço do medo, não choro por nada
No braço do mar, bem na ponta d'areia
A terra treme, o tempo serra
Quem manda na chuva é o vento
Quem manda na chuva é o vento

E pára-raio
Cata-vento
E pára-raio
Cata-vento
E pára-raio
E pára o tempo
E pára
E pára-raio
Cata-vento


Para-raio (Djavan) - Jane Duboc(1980)
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Para-raio (Djavan) - Lani Hall(1981)

Para-raio (Djavan) - Djavan

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sábado, 19 de setembro de 2009

"O circo"

O circo

Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto
Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona
Pra que a lua de carona também possa ver a festa
Bem me lembro o trapezista que mortal era seu salto
Balançando lá no alto parecia de brinquedo
Mas fazia tanto medo que o Zezinho do Trombone
De renome consagrado esquecia o próprio nome
E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado
Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo
Sem juízo e sem juízo fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria
Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria
De chicote e cara feia domador fica mais forte
Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte
Terminando seu batente de repente a fera some
Domador que era valente noutras feras se consome
Seu amor indiferente, sua vida e sua fome
Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina
Que o seu corpo é de senhora, que seu rosto é de menina
Quem chorava já não chora, quem cantava desafina
Porque a dança só termina quando a noite for embora
Vai, vai, vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira
Morre o circo, renasce na lembrança
Foi-se embora e eu ainda era criança

O circo (Sidney Miller) - Nara Leao(1967)
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O circo (Sidney Miller) - Quarteto em Cy(1967)


A CANÇÃO CONTADA

Nós, os foliões, somos dados ao esquecimento: imersos na velocidade do dia-a-dia, tendemos a não reparar nas pedrinhas que caem no lago e formam círculos concêntricos que se desvanecem como se não tivessem existido jamais. E por isso, provavelmente, não entendemos por que tais círculos haviam se formado. Por exemplo, não entendemos até hoje por que Sidney Miller se matou, em 1980.

Sidney Álvaro Miller Filho era membro de uma geração privilegiada, em termos de criação musical: nascido em 18/04/1945, foi contemporâneo de Chico Buarque, Caetano, Gil, Edu Lobo etc.: uma turma que apontaria para uma nova estética, e, mesmo, uma nova maneira de se encarar o fazer música no Brasil. Em tempos obscuros politicamente, ousaram acender fósforos que tentavam, pelo menos, quebrar a onipresença das trevas.

Sidney não era um iconoclasta como Caetano: em termos de música, estaria mais próximo de Chico, fazendo uma ponte entre um novo olhar e a herança musical e poética em seu sangue.

Um de seus clássicos, O circo” clique aqui! (Vai, vai, vai, começar a brincadeira/ Tem charanga tocando a noite inteira) opera com o mecanismo dos contos de fada, buscando, no aparentemente ingênuo, toda uma série de arquétipos do ser humano, como o palhaço “que na vida já foi tudo”, e que “sem juízo fez feliz a todo mundo, mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria todo o encanto do sorriso que seu povo não sorria.” Uma metáfora perfeita para a própria condição do artista criador.

Um dia, contudo, a tristeza sobrepujou a beleza e Sidney, por motivos até hoje obscuros, optou por acabar com sua vida, e, conseqüentemente, com sua obra.

"Extraído de texto de Fernando Toledo e Áurea Alves para a Revista de Música Brasileira"

“O circo”, com gravação de Marilia Barbosa clique aqui!, fez parte da trilha sonora de “À Sombra dos Laranjais”, telenovela produzida pela Rede Globo e exibida em 1977.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Na Serra da Mantiqueira"

Na Serra da Mantiqueira

Na Serra da Mantiqueira
Sob a fronde da mangueira
Que ela em moça viu plantar,
Sentadinha no seu banco,
Lá na encosta do barranco,
Mãe Maria vai sonhar.

Dos amores do passado
Só lhe resta um filho amado
Que lhe dá felicidade.
Ele é todo o seu encanto,
Sua vida, o fruto santo
Da longínqua mocidade.

E nas nuvens que, correndo,
Vão no céu aparecendo
Pra no ocaso descansar,
Ela vê os belos dias
De venturas e alegria
Que não mais hão de voltar.

Eis, porém, que veio a guerra
Abalando toda a serra
Com o rugido do canhão.
E a velhinha amargurada
Viu seu filho lá na estrada
Se sumir num batalhão.

Segurando o rosário,
No seu banco solitário,
Mãe Maria reza agora,
Pede a Deus ardentemente
Que lhe mande o filho ausente
Que já tanto se demora.

E, numa tarde, ao sol poente,
Ela escuta de repente
A voz meiga do rapaz,
Que lhe diz, tal como em vida:
"Muito em breve, mãe querida,
Lá no Céu me encontrarás!"


Na Serra da Mantiqueira (Ary Kerner) - Elcio Alvarez e sua Orquestra(1975)
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Na Serra da Mantiqueira (Ary Kerner) - Inezita Barroso(1959)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Mamae, eu quero"

Mamãe, eu quero

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira em vem entra no meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Eu olho as pequenas, mas daquele jeito
E tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal


Mamae, eu quero (Vicente Paiva & Jararaca) - Fafa Lemos e sua Orquestra(1954)
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Mamae, eu quero (Vicente Paiva & Jararaca) - Lucinha Lins(2003)

Mamae, eu quero (Vicente Paiva & Jararaca) - Carmen Miranda

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A CANÇÃO CONTADA

“Mamãe, eu quero” foi gravada originalmente na Odeon em 1936, por Jararaca e lançada em 78 rpm. Almirante, admirador e amigo de Jararaca, foi quem fez o papel da "mãe" no diálogo inicial, criado com a única finalidade de aumentar o tempo da gravação clique aqui!.

Outras gravações conhecidas são as de Carmen Miranda (1939), Almirante (no rádio, 1946), Blecaute, A Banda do Pixinguinha (1967), Lyra de Xopotó, Marlene com Blecaute & Nuno Roland (1968), Wilson Simonal (1969), Altamiro Carrilho e Sua Bandinha, Coro popular de Samuel Rosemberg, Sílvio Caldas (1973), Banda do Canecão (1973), Banda de Ipanema (1977), Banda do Touguinha (1977), Gilberto Gil (1978), As Melindrosas (1978), Grupo dos Foliões (1978), A Patotinha (1978), Os Disconautas (1978), Samba Livre (1978), Os Versáteis, Rebels, A Grande Banda do Chopp (1979), Flabanda (1980), Banda Carnavalesca Cidade Maravilhosa (1981), Bloco Pierrôs & Colombinas (1981), Astrud Gilberto (1982), Banda Carioca, A Banda da Alegria (1983), Beth Carvalho (1984), Côro Oba Oba (1986), Tião Macalé (1989), Banda Rio-Copa (1991), Comando Geral, Banda da Galera, Banda Gol (1998), entre outras.

Desacreditada no início pelos próprios autores,Mamãe, eu quero” apresentou não apenas um grande êxito de crítica e de público, como também um dos primeiros sucessos da música brasileira em terras americanas. Foi levada para os EUA em 1939, pelos integrantes de uma orquestra americana que se apresentara em 1937 no Cassino da Urca. Mais tarde foi incluída no repertório de Carmen Miranda, por exigência do próprio público de lá.

Mamãe, eu quero” surgiu numa época em que a marchinha se firmava definitivamente como um dos gêneros carnavalescos por excelência. O tom irônico, humorístico e malicioso agradou em cheio aos nossos foliões.

A composição foi criada faltando apenas alguns meses para o início do carnaval de 37. Jararaca mostrou-a ao amigo Vicente Paiva, na época o diretor artístico da Odeon. A gravadora não queria que Jararaca a lançasse, alegando que ele, não sendo cantor, poderia comprometer a sua própria imagem de humorista. Para intérprete foi então escolhido Luis Barbosa, que acabou recusando, por não se tratar de uma música que lhe agradasse. Devido à pressa, a única alternativa era mesmo a interpretação de Jararaca. E foi o que aconteceu. Vicente Paiva assumiu os riscos pela gravação, que foi realizada sem ensaios prévios ou maiores requintes.

Jararaca chegou a declarar que a música foi inspirada nele mesmo, pois era um menino muito "mamão".

Mamãe, eu quero” serviu até para campanha eleitoral. Candidatando-se a uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo PCB, Jararaca compôs uma segunda versão para a música, que, segundo o jornal A Manhã, de 19 de dezembro de 1946, foi cantada a exaustão durante um comício do PCB na praia do Russel.

Extraído do “Ao chiado brasileiro”




segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Lavoura"

Lavoura

Quatro da manhã
Dor no apogeu
A lua já se escondeu
Vestindo o céu de puro breu
E eu mal vejo a minha mão
A rabiscar, esboço de canção
Poesia vã
Pobre verso meu
Que brota quando feneceu
A mesma flor que concebeu
Perdido na alucinação
Do amor acreditando na ilusão
Canto pra esquecer a dor da vida
Sei que o destino do amor
É sempre a despedida
A tristeza é o grão
A saudade é o chão onde eu planto do ventre da solidão
É que nasce o meu canto


Lavoura (Teresa Cristina & Pedro Amorim) - Roberta Sa & Ney Matogrosso(2005)
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Lavoura (Teresa Cristina & Pedro Amorim) - Teresa Cristina(2004)

Lavoura (Teresa Cristina & Pedro Amorim) - Roberta Sa & Ney Matogrosso ao vivo

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domingo, 13 de setembro de 2009

"Ja passou"

Já passou

Já passou, já passou
Se você quer saber
Eu já sarei, já curou
Me pegou de mal jeito
Mas não foi nada, estancou

Já passou, já passou
Se isso lhe dá prazer
Me machuquei, sim, supurou
Mas afaguei meu peito
E aliviou
Já falei, já passou

Faz-me rir, ha ha ha
Você saracoteando daqui pra acolá
Na Barra, na farra
No Forró Forrado
Na Praça Mauá, sei lá
No Jardim de Alá
Ou no Clube do Samba
Faz-me rir, faz-me engasgar
Me deixa catatônico
Com a perna bamba

Mas já passou, já passou
Recolha o seu sorriso
Meu amor, sua flor
Nem gaste o seu perfume
Por favor
Que esse filme
Já passou



Ja passou (Chico Buarque) - Adriana Calcanhoto(1999)
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Ja passou (Chico Buarque) - Chico Buarque(1980)

sábado, 12 de setembro de 2009

"Imagem e semelhanca"

Imagem e semelhança

Pai do céu
Me manda alguma ajuda
A luz numa mensagem, careço de saber
Senhor, só preciso de um recado
A coisas nesta vida
Que não posso entender

Será sua imagem e semelhança
Não, meu pai do céu,
Não posso acreditar,
Não dá

Alguém inventou essa balela
A gente não merece
De longe comparar
Falta de respeito, no começo,
Nem se acha um herdeiro
Na glória de amar
Veio seu filho salvar a terra,
Tanto sacrifício,
Alguém mereceu,
Será?

Buda, oxalá ou krishna, muito amado
Nos fizeram andar
Mas resta a pergunta do começo,
Tô tanto distante de ter sido feito
A sua semelhança, pai


Imagem e semelhanca (Milton Nascimento & Kiko Continentino & Bena Lobo) - Marina Machado & Milton Nascimento(2003)
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Imagem e semelhanca (Milton Nascimento & Kiko Continentino & Bena Lobo) - Simone Guimaraes(2001)

Imagem e semelhanca (Milton Nascimento & Kiko Continentino & Bena Lobo) - Milton Nascimento & Simone Guimaraes & Kiko Continentino ao vivo

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Homem com h"

Homem com h

Nunca vi rastro de cobra
Nem couro de lobisomem
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come
Porque eu sou é home
Porque eu sou é home
Menino eu sou é home
Menino eu sou é home
Quando eu estava pra nascer
De vez em quando eu ouvia
Eu ouvia mãe dizer
Ai meu Deus como eu queria
Que essa cabra fosse home
Cabra macho pra danar
Ah! Mamãe aqui estou eu
Mamãe aqui estou eu
Sou homem com H
E como sou
Estribilho
Eu sou homem com H
E com H sou muito home
Se você quer duvidar
Olhe bem pelo meu nome
Já tô quase namorando
Namorando pra casar
Ah! Maria diz que eu sou
Maria diz que eu sou
Sou homem com H


Homem com h (Antonio Barros) - Antonio Barros(1980)
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Homem com h (Antonio Barros) - Os 3 do Nordeste(1974)

Homem com h (Antonio Barros) - Ney Matogrosso ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

Quem poderia supor que quase foi preciso brigar com Ney Matogrosso para que gravasse "Homem com H", do pernambucano Antônio Barros Silva? Ney disse: "No meu disco essa música não entra de jeito nenhum". Ele achava que era forçar demais a barra. Implicava com a letra jocosa e com o fato de ser forró. O cantor concorda: “Homem com H só entrou no meu disco porque o Mazzola insistiu muito. Eu achava que não sabia fazer forró.”

Foi em 1981 que Marco Mazzola - sempre político - conseguiu convencer Ney Matogrosso a por voz no forró "Homem com H", rejeitado pelo cantor num primeiro momento. A música foi hit em todo o Brasil clique aqui!.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Gloria"

Gloria (Bonfiglio de Oliveira) - Dilermando Reis(1971)
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Gloria (Bonfiglio de Oliveira) - Epoca de Ouro(1960)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Fato consumado"

Fato consumado

Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Se toda hora é hora de dar decisão, eu falo agora
No fundo eu julgo o mundo um fato consumado e vou embora
Não quero mais, de mais a mais, me aprofundar nessa história
Arreio os meus anseios, perco o veio e vivo de memória
Eu quero é viver em paz
Por favor me beije a boca
Que louca, que louca!
Eu quero é viver em paz
Por favor me beije a boca
Que louca, que louca!


Fato consumado (Djavan) - Luiz Avelar(1994)
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Fato consumado (Djavan) - Toque de Arte(2007)

Fato consumado (Djavan) - Djavan

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A CANÇÃO CONTADA

Na segunda metade da década de 1970, com as gravações de “Fato consumado” (75),Flor-de-Lis” (76) eCerrado” (78), Djavan, um jovem negro da periferia de Maceió (AL), balançava as estruturas da música popular brasileira, trazendo para o seio da “flor amorosa” mais uma das muitas possibilidades do samba.

Era a sincopação dos anos 40 levada a extremos que nem a bossa-nova ousara. Era o samba entortado e ainda mais balançado que o do “Balanço zona sul”. Era, enfim, o samba feito para dançar. E os frutos dessa safra bendita são, até hoje, mais de 30 anos passados, presença obrigatória no repertório de qualquer bom baile (e não arrasta-pé) que se preze.

Mas esse samba radicalmente sincopado de Djavan parece que só agradava, pelo menos no Rio de Janeiro, àquela parcela da população que, por razões econômicas, de moradia e de oportunidades, permanece afastada do chamado “circuito cultural”, que vai dos aeroportos aos vernissages; dos teatros às livrarias; e que, da zona sul pra cá, chega no máximo até a Candelária. Enxergando, certamente, poucas possibilidades de mercado junto a esse público de “duros”, a indústria fonográfica transnacional, pelo que supomos, parece ter convencido Djavan a jogar seu irresistível sincopado fora para produzir uma obra mais alinhada com o pop-rock hoje hegemonicamente vigente em escala planetária. Aí, o Djavan internacionalizado chegou até Stevie Wonder, Carmen McRae, Al Jarreau e Manhattan Transfer. No que fez muito bem, também achamos. Só que nós aí, literalmente, perdemos o rebolado.

Extraído do blog “Cultura, papo e outras coisas...”, de Vicente Portela


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"E meu, e meu, e meu"

É meu, é meu, é meu

Tudo que é seu meu bem também pertence a mim
Vou dizer agora tudo do princípio ao fim
Da sua cabeça até a ponta do dedão do pé
Tudo que é seu, meu bem
É meu, é meu, é meu
A começar pelo cabelo que coisa mais linda
Boca e sorriso igual não encontrei ainda
Seus olhinhos, que beleza
Fazem ver com mais certeza
Que tudo que é seu, meu bem
É meu, é meu, é meu
Bem baixinho em seu ouvido gosto de falar
Recostado no seu ombro gosto de sonhar
Quando seus braços me apertam
Mil idéias me despertam
Tudo que é seu, meu bem
É meu, é meu, é meu
São suas mãozinhas feitas p´ra fazer carinho
Nada tem mais charme do que o seu joelhinho
Seus pezinhos a pisar
Meu coração que a cantar
Diz que tudo que é seu
É meu, é meu, é meu
Não adianta discutir que tudo isso é meu
Por isso eu vivo a repetir
Que é meu, é meu e é meu
Tudo que eu falei meu bem
E o que eu não falei também
Tudo que você pensar
É meu, é meu e é meu


E meu, e meu, e meu (Roberto & Erasmo) - Os Carbonos(1970)
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E meu, e meu, e meu (Roberto & Erasmo) - Roberto Carlos(1968)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"De mal pra pior"

De mal prá pior

Vai se ver e atrás do riso está morrendo de chorar,
E passando maus pedaços disfarçando que vai bem,
Não vai bem pra ser sincero, vai demal pra bem pior,
Vive sem pedir ajuda, e eu sei lá por que, pra que,

Mas no entanto pelos cantos, só faz lamentar-se e mal dizer,
Vai se ver pede tão pouco, entretanto, não achou,
Dos amores que esperava, só se perdeu desencontrou

Vive então se remoendo, mas por fora nem se vê
Se defende num sorriso pra disfarçar não sei o que


De mal pra pior (Pixinguinha & Herminio Belle de Carvalho) - Teca Calazans(1997)
clique aqui!

De mal pra pior (Pixinguinha & Herminio Bello de Carvalho) - Paulinho da Viola(1997)