quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Divino maravilhoso"

Divino maravilhoso

Atenção
Ao dobrar uma esquina
Uma alegria
Atenção, menina
Você vem
Quantos anos você tem?

Atenção
Precisa ter olhos firmes
Pra este sol
Para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para a estrofe, para o refrão
Pro palavrão
Para a palavra de ordem

Atenção
Para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para as janelas no alto
Atenção
Ao pisar no asfalto mangue
Atenção
Para o sangue sobre o chão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte


Divino maravilhoso (Caetano Veloso & Gilberto Gil) - Chicas ao vivo(2009)
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Divino maravilhoso (Caetano Veloso & Gilberto Gil) - Leila Pinheiro & Vitor Biglioni(2004)


A CANÇÃO CONTADA

Caetano e Gil compuseram "Divino, Maravilhoso" em uma época de grande efervecência na música popular brasileira, que lideraram a gravação de "Tropicália ou Panis et circencis", de 1968, o disco-manifesto do movimento tropicalista. Deste LP, participariam também Os Mutantes, Nara Leão e Gal Costa.

No final de outubro daquele ano, estreou na TV Tupi, de São Paulo, o programa de vanguarda "Divino, Maravilhoso", comandado por Caetano e Gil e do qual participavam Jorge Ben, Os Mutantes, Gal Costa e o conjunto Os Bichos.

Próxima dos tropicalistas e considerada a musa do movimento, Caetano sugeriu que Gal participasse da quarta edição do Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record (também de São Paulo) com a canção "Divino, Maravilhoso", e Gil se propôs fazer o arranjo. Caetano perguntou como Gal queria cantar a canção, e a cantora explicou que queria cantar "de uma forma nova, explosiva, de uma outra maneira", mostrando "uma outra mulher", "uma outra Gal além daquela que cantava quietinha num banquinho a bossa nova".

Na noite do dia 13 de novembro de 1968, Gal subiu ao palco para interpretar a canção que seria um marco em sua carreira. A cantora defendeu a canção de maneira agressiva, explorando toda a potencialidade da sua voz, utilizando mais os agudos, um jeito de cantar completamente diferente do que vinha fazendo até então, mais inspirado na Bossa Nova. Até o visual de Gal estava diferente: cabelo black power e um enorme colar de espelhos no seu figurino. A plateia ficou divida durante a interpretação - uns vaiavam, outros aplaudiam a cantora. A canção terminou na 3ª colocação no festival. Veja vídeo abaixo.

Em 1969, Gal gravou "Álbum homônimo", seu primeiro L.P. individual, que teve grande sucesso comercial. Entre as doze faixas, estava "Divino, Maravilhoso".

Extraído de Wikipédia


Divino maravilhoso (Caetano Veloso & Gilberto Gil) - Gal Costa ao vivo(1968)

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Foi por apenas três meses (de outubro a dezembro de 1968) que o programa "Divino Maravilhoso", de Caetano Veloso e Gilberto Gil, ficou no ar, pela TV Tupi. Mas o bastante para que os telespectadores se irritassem. Transmitidas ao vivo, as apresentações não tinham roteiro e os cantores aproveitavam para farrear diante das câmeras. Resultado: choviam cartas de reclamações pelo mau comportamento. "A gota d'água foi quando Caetano cantou uma música com um revólver apontado para a cabeça", conta a pesquisadora Ana de Oliveira.

Edson Veiga para "VEJA" São Paulo


Gilberto Gil rodopiava e ria cantando "Batmacumba". Caetano Veloso plantava bananeira; deitado no palco, sem que as guitarras dos Mutantes parassem, emendava com "É proibido proibir". Atrás deles, quatro painéis em alto-relevo exibiam uma grande boca, seios e dentaduras em cores berrantes. Era tudo "Divino, Maravilhoso", programa mais anárquico já exibido na televisão brasileira, que estreou em 28 de outubro de 1968 na extinta TV Tupi.
Não havia meio-termo: era amor ou ódio à primeira vista. Dirigido por Fernando Faro, produzido por Antônio Abujamra, com Cassiano Gabus Mendes na direção de imagens, quase tudo era definido no dia, horas antes da transmissão ao vivo. A farra semanal dos tropicalistas durou só até o Natal, quando Caetano e Gil foram presos por oficiais do Exército. Tempos de chumbo. Em dois meses de vida, o programa recebeu centenas de cartas de pais de família, indignados com Caetano, Gil e seus convidados: Gal Costa, Jorge Ben, Tom Zé, Nara Leão, Paulinho da Viola e Cyro Monteiro. Foi um curto-circuito na televisão brasileira.

Escrito por Luiz Henrique Gurgel

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Botoes de laranjeira"

Botões de laranjeira

Maria Madalena dos anzóis Pereira
Teu beijo tem aroma de botões de laranjeira
Mas a Pretoria não é brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira

Em plena liberdade eu ia, passo a passo
Quando teus olhos verdes atiraram um laço
Agora estou na forca de qualquer maneira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira

Maria Madalena dos Anzóis Pereira
Teu beijo tem aroma de botões de Laranjeira
Mas a Pretoria não é brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira

Eu fui te dando corda despreocupado,
E quando dei por mim já estava amarrado
E quem levou vantagem com a brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira


Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Ciro Monteiro & Regional de Benedito Lacerda(1942)
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Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Miltinho(1968)

Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Simonetti e Orquestra RGE(1960)

Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Pratica Vocal do Laercio

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A CANÇÃO CONTADA

O compositor Pedro Caetano estava numa festinha, quando uma menina lhe pediu: "Será que o senhor poderia fazer uma música pra mim?". Embora não gostasse de compor por encomenda, Pedro animou-se ao saber que a garota se chamava Maria Madalena de Assunção Pereira, um nome tão musical que tinha até ritmo de choro.

E ali mesmo começou a escrever os versos iniciais da composição ("Maria Madalena de Assunção Pereira / teu beijo tem aroma de botões de laranjeira"), para a alegria da homenageada. Dias depois, a música era lançada com sucesso por Ciro Monteiro no programa de César Ladeira, na Rádio Mayrink Veiga. Marcada a gravação para a semana seguinte, pois Ciro tinha pressa, surgiu um empecilho.


A censura proibia nomes próprios por extenso em letras de música, alegando que isso afetava a privacidade das pessoas. Pedro ficou desolado, pois uma das graças do sambinha era justamente o nome da garota funcionando como verso. Mas a salvação veio numa sugestão de César Ladeira: substituiu-se o "de Assunção" por "dos Anzóis", cessando o pretexto da proibição. César ainda brincou: "Se aparecer alguém com esse nome mandem prender, porque isso não é nome que se use".

Criador de inspirados versos para músicas alheias, Pedro Caetano era também um criativo melodista, conforme se pode constatar em composições como "Botões de Laranjeira".


Extraído do blog Cifrantiga

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"O samba e meu dom"

O samba e meu dom

O samba é meu dom
Aprendi bater samba ao compasso do meu coração
De quadra, de enredo, de roda na palma da mão
De breque, de partido-alto e o samba-canção
O samba é meu dom
Aprendi a dançar samba vendo o samba de pé no chão
No Império Serrano, a escola da minha paixão
No terreiro, na rua, no bar, gafieira e salão
O samba é meu dom
Aprendi cantar samba com quem dele fez profissão
Mário Reis, Vassourinha, Ataulfo, Ismael, Jamelão
Com Roberto Silva, Sinhô, Donga, Ciro e João (Gilberto)
O samba é meu dom
Aprendi muito samba com quem sempre fez samba bom
Silas, Zinco, Aniceto, Anescar, Cachinê, Jaguarão
Zé-com-Fome, Herivelto, Marçal, Mirabeau, Henricão
O samba é meu dom
É no samba que eu vivo, do samba é que eu ganho o meu pão
E é num samba que eu quero morrer de baquetas na mão
Pois quem é do samba meu nome não esquece mais, não.



O samba e meu dom (Wilson das Neves & Paulo Cesar Pinheiro) - Pedro Miranda(2006)
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O samba e meu dom (Wilson das Neves & Paulo Cesar Pinheiro) - Wilson das Neves(1996)

O samba e meu dom (Wilson das Neves & Paulo Cesar Pinheiro) - Fabiana Cozza & Zimbo Trio ao vivo

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Ressurreicao dos velhos carnavais"

Ressurreição dos velhos carnavais

Os dados estão relembrando
Os nossos velhos carnavais
Arlequins sensuais amam Colombinas
De pompons grenàs
Passam na visão dos meus sonhos
Os pierrôs tão tristonhos
A tocar bandolins entre ais
Implorando em vão
A ressurreição
Desses carnavais

Vem, vem, vem Colombina sonhar
Vem, vem
Que Pierrô vive a chorar
Com ansiedade
Triste Pierrô
Se transformou em saudade
Vem, vem, vem Arlequim
Que a tua sina
Era adorar a Colombina
Dos carnavais que não voltam mais
Vem, vem, vem Colombina...


Ressurreicao dos velhos carnavais (Lamartine Babo) - Helena de Lima & Banda da Policia Militar do Estado da Guanabara(1967)
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Ressurreicao dos velhos carnavais (Lamartine Babo) - Os Rouxinois(1963)

Ressurreicao dos velhos carnavais (Lamartine Babo) - Roberto Silva(1960)


A CANÇÃO CONTADA

O ostracismo a que esteve submetido Lamartine Babo foi inversamente proporcional à profissionalização do Carnaval. Lamartine não podia competir com a crescente indústria da folia, que era capaz de eleger sucessos em detrimento da saudável competição dos tempos da Era do Rádio. Agora, por mais perfeitas que fossem as canções, elas não estavam livres do trabalho de caitituagem, que sempre impediu a divulgação de autores não comprometidos com a indústria carnavalesca ou acostumados com os fins e os meios dos meios de comunicação. Definitivamente afastado das festas de Momo, Lamartine virou membro da União Brasileira dos Compositores (UBC). Voltou em 1959, com uma criação especialmente composta para um rancho carnavalesco. Nostálgico, viria às cargas dois anos depois, com “Ressurreição dos Velhos Carnavais”, que se caracteriza pelo tocante saudosismo de seu poeta: “vem arlequim, que a tua sina/ Era adorar a Colombina/Dos carnavais que não voltam mais”.

Extraído do site www.cantopraviver.com.br

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Voce foi mais uma"

Você foi mais uma

Quando você desocupou meu coração
Já havia outra esperando habitação
Você passou
Como outras têm passado
Você se enganou,
Eu não estava apaixonado.

Você foi mais uma
Que cruzou o meu caminho.
Você foi mais uma
A quem dei o meu carinho.
Você foi mais uma
Que me deu inspiração.
Você foi mais uma
Que ficou na coleção.


Voce foi mais uma (Cicero Nunes) - Conjunto Arpoador(1968)
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Voce foi mais uma (Cicero Nunes) - Quatro Ases e um Coringa(1951)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"Fica comigo"

Fica comigo

Fica comigo pra toda a vida
Ó minha vida, fica comigo
Teu lugar é aqui,aqui, aqui, aqui
São dois rios meus olhos
A chorar e a correr atrás de ti
Não vá, meu bem



Fica comigo (Luiz Antonio) - Conjunto Balambossa(1966)
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Fica comigo (Luiz Antonio) - Miltinho & Sexteto Sideral(1960)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

"Benvinda"

Benvinda

Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente que há um lugar na minha mesa
Pode ser que você venha por mero favor, ou venha coberta de amor
Seja lá como for, venha sorrindo
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Que o luar está chamando, que os jardins estão florindo
Que eu estou sozinho
Cheio de anseio e de esperança, comunico a toda gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha morar por aqui, ou venha pra se despedir
Não faz mal pode vir até mentindo
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Que o meu pinho está chorando, que o meu samba está pedindo
Que eu estou sozinho
Vem iluminar meu quarto escuro, vem entrando com o ar puro
Todo novo da manhã
Oh vem a minha estrela madrugada, vem a minha namorada
Vem amada, vem urgente, vem irmã
Benvinda, benvinda, benvinda
Que essa aurora está custando, que a cidade está dormindo
Que eu estou sozinho
Certo de estar perto da alegria, comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha um carinho para dar, ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Ah, que bom que você veio, e você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda, benvinda, benvinda. benvinda, benvinda



Benvinda (Chico Buarque) - Chico Buarque(1968)
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Benvinda (Chico Buarque) - MPB4(1968)

Benvinda (Chico Buarque) - Taiguara(1968)


A CANÇÃO CONTADA

Com a retumbante presença do tropicalismo, o IV Festival da

Música Popular Brasileira apresentado pela TV Record em 1968,
contou com outras duas novidades: além do júri tradicional, o

público foi convidado a votar. Seria o chamado "júri popular".

Composto com 98 pessoas ao todo e seria dividido em 14 equipes de

7 membros cada. Haveria dois resultados. O prêmio do júri e o prêmio do público.

Outra novidade teve o intuito de preservar as canções das vaias: as 36 músicas

selecionadas seriam previamente apresentadas em um show que não valia a

classificação prá final.

No final, como era de se esperar, o resultado do júri oficial foi diferente

do júri popular. Este decidiu que o samba de Chico, "Benvinda", interpretado por ele

e pelo MPB4 levaria o primeiro lugar.


video

domingo, 7 de novembro de 2010

"Se eu pudesse te dizer tudo que sinto"

Se eu pudesse te dizer tudo que sinto (Silvio Cesar) - Silvana(1974)
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Se eu pudesse te dizer tudo que sinto (Silvio Cesar) - Silvio Cesar(1968)

Se eu pudesse te dizer tudo que sinto (Silvio Cesar) - Wanderley Cardoso(1968)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Eu nao sou daqui" ou "Eu sou de Niteroi"

Eu nao sou daqui

Eu não daqui
Eu sou de Niterói
Sinto muito, mas não posso
Aceitar o seu amor
Na terra de Araribóia
É que eu tenho quem me quer
Passe bem, seja feliz, oi
E até quando Deus quiser
Juro, tenho compromisso
Seu moço, preste atenção
Do outro lado da Baía
Empenhei meu coração
Vou embora até loguinho
Por favor, não leve a mal
Estou em cima da hora
A barca deu o sinal


Eu nao sou daqui ou Eu sou de Niteroi (Wilson Batista & Ataulfo Alves) - Cristina Buarque & Bambo de Bambu ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

"Eu não sou daqui", um samba delicioso composto por Wilson Batista e Ataulfo Alves e gravado em 1941, originalmente por Aracy de Almeida clique aqui! e, posteriormente, por Cristina Buarque clique aqui!. A música fala da cidade de Niterói, onde Zélia Duncan nasceu, e segundo ela é uma forma de se reconciliar com a terra de Araribóia.

"Muita gente acha que eu nasci em Brasília. Mas, com essa música, eu digo com orgulho que sou de Niterói. Minha família é da cidade, e eu sempre vou lá", conta Zélia.

Por Marcos Paulo Bin no site Universo Musical.

Medos à parte, Zelia aprendeu com a agitadora musical Cristina Buarque a gostar de "Eu Não Sou Daqui", do fluminense Wilson Batista com o mineiro Ataulfo Alves. "Eu não sou daqui/ eu sou de Niterói", canta a mulher niteroiense, bulindo rivalidades e preconceitos entre Niterói e o adotivo Rio de Janeiro clique aqui!.

Por Pedro Alexandre Sanches para o site da Folha.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Aleluia de um imenso amor"

Aleluia de um imenso amor (Silvino Neto) - Helena de Lima & Banda da Policia Militar do Estado da Guanabara(1967)
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Aleluia de um imenso amor (Silvino Neto) - Miltinho(1966)

Aleluia de um imenso amor (Silvino Neto) - Trio Copacabana(1968)

domingo, 17 de outubro de 2010

"E a chuva parou"

E a chuva parou

dia tão lindo
e a chuva parou
estou sorrindo
cantando estou

resta anciedade de te encontrar
tudo me diz tu vais voltar, pra ficar
estás tão só e eu sem ninguém
volta depressa pro nosso bem

pois com tua volta aos braços meus
eu pensei tudo terás
serás feliz
feliz serei



E a chuva parou (Esdras Pereira da Silva & Victor Freire & Ribamar) - Guimaraes e seu Conjunto(1959)
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E a chuva parou (Esdras Pereira da Silva & Victor Freire & Ribamar) - Julie Joy(1958)

E a chuva parou (Esdras Pereira da Silva & Victor Freire & Ribamar) - Tito Madi & Ribamar e seu Conjunto(1957)

sábado, 9 de outubro de 2010

"Teus ciumes"

Teus ciúmes

Condeno teus ciúmes,
Que mataram nosso amor,
Razão dos meus queixumes,
Causa cruel desta dor.
Condeno os teus ciúmes,
Que me crucificaram,
E me dilaceraram o coração,
Na eterna imensidão,
Da minha solidão.

Olhando meu passado,
Muito triste vejo então
O livro desfolhado
Que só me foi ilusão,
E lembro o nosso amor
Um sonho encantador
Naquele tempo lindo
Que eu julgava infindo.

Na minha vida em Calma
No embaçado espelho de minh'alma.
Eu vejo os teus ciúmes
A revolver ferindo meu coração.
E assim me destruindo
Sempre os teus ciúmes
Vêm me perseguindo...

Olhando meu passado,
Muito triste vejo então
O livro desfolhado
Que só me foi ilusão,
E lembro o nosso amor
Um sonho encantador
Naquele tempo lindo
Que eu julgava infindo.


Teus ciumes (Aldo Cabral & Laci Martins) - Alaide Costa & Joao Carlos Assis Brasil(2006)
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Teus ciumes (Aldo Cabral & Laci Martins) - Altamiro Carrilho e sua Bandinha(1961)

Teus ciumes (Aldo Cabral & Laci Martins) - Dalva de Oliveira(1957)

Teus ciumes (Aldo Cabral & Laci Martins) - Silvio Caldas(1935)

Teus ciumes (Aldo Cabral & Laci Martins) - Chiris Gomes ao vivo

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domingo, 12 de setembro de 2010

"Meia volta" ou "Ana Cristina"

Meia volta ou Ana Cristina

Pelo olhar de Ana Cristina
já passaram tantas dores
que seus olhos de menina
já nem sonham mais
Mas seu jeito de tristinha
pode logo se acabar
se souber dar meia-volta
pra tristeza terminar

Vira, volta, vira a vida,
pelas voltas da alegria
E quem sabe Ana Cristina
pode então cantar

la la la la la la

Só quem der a meia-volta,
volta e meia vai cantar

la la la la la la...

Mas seu jeito de tristinha
pode logo se acabar
se souber dar meia-volta
pra tristeza terminar

Vira, volta, vira a vida,
pelas voltas da alegria
E quem sabe Ana Cristina
pode então cantar

la la la la la la

Só quem der a meia-volta,
volta e meia vai canta

la la la la la la...



Meia volta ou Ana Cristina (Antonio Adolfo & Tiberio Gaspar) - Claudette Soares(1969)
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Meia volta ou Ana Cristina (Antonio Adolfo & Tiberio Gaspar) - Os Pilantrocratas(1969)

Meia volta ou Ana Cristina (Antonio Adolfo & Tiberio Gaspar) - Rogerio Flausino ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

No dia do show, o Maracanãzinho era o Coliseu. Um barulho infernal sobrepujava com folga o som que vinha do palco - especialmente insuficiente nas delicadas harmonias de Marcos Valle ou nos desvarios psicodélicos de Gal Costa. Amáveis, as 30 mil pessoas aplaudiam e se divertiam como se aquilo fosse um sábado na praia, mas sem a menor intimidade com os acordes dissonantes ou com as páginas da Cashbox que Sergio Mendes comprava para divulgar seu trabalho. Mas tudo era festa. Até um vendedor de biscoitos foi aplaudido feito artista quando puxou um mar de braços com um saquinho branco. Já era noite quando Wilson Simonal e o Som Três subiram ao palco. "Me lembro como se fosse hoje da expressão no rosto do Simonal no momento em que ele subiu as escadas em direção ao palco do Maracanãzinho e percebeu que enfrentaria 30 mil pessoas", lembra César Mariano. "E 30 mil pessoas que estavam ali para assistir ao Sergio Mendes."


O receio fazia sentido, mas a fome daquelas pessoas por Simonal, todo mundo poderia supor, era grande. "De Cabral a Simonal" era a guinada mais franca de Simonal em direção ao gosto popular. Era um show sem medo de ser encerrado por "Meu limão, meu limoeiro", sem vergonha de enfileirar todos os hits, sem pudores em lançar, por duas horas, todos os ganchos possíveis para o fã carioca que o acompanhara na Excelsior por tantos anos - e que já não o via na telinha havia certo tempo. Ao mesmo tempo, depois de meses no Toneleros e Ginástico, algumas semanas no Bela Vista em São Paulo e outras no Canecão, o show estava fazendo parada na pequena e sofisticada boate Sucata, para um público carioca com dinheiro para gastar. Se "De Cabral a Simonal" já era um show repleto de apelo popular, o condensado de seis ou sete músicas que o cantor preparou para o Maracanãzinho tinha um poder de fogo concentrado.

A panela de pressão foi para os ares logo na música de abertura, "Meia-Volta (Ana Cristina)", uma midtempo escrita por Antônio Adolfo e Tibério Gaspar na sombra de "Sá Marina". Simonal acenou ao público, agradeceu os aplausos e abriu a boca para cantar: "Pelo
Olhar de Ana Cristina..." e 30 mil pessoas encheram seus jovens pulmões para cantar todo o resto da música: "...já passaram tantas dores/ que seus olhos de menina/ já nem sonham mais..." clique aqui!

Extraído do artigo "Trinta Mil por Um" - Biografia ajuda a entender o fenômeno de público que foi o cantor Wilson Simonal, o homem louvado por 30 mil vozes uníssonas no Rio de Janeiro, publicado no site www.rollingstone.com.br

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Tava na roda do samba"

Tava na roda do samba (Salvador Correia) - Almirante e seu Bando dos Tangaras(1932)
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Tava na roda do samba (Salvador Correia) - Os Satelites(1957)


A CANÇÃO CONTADA

"Tava na roda de samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô..."


Mas não eram em todos os lugares que os batuqueiros corriam ou iam presos, pois muitos ofereciam resistência e, do conflito com a polícia, surgiam até mortes. Mesmo entre eles haviam rivalidades e brigas, sendo os 'valentes' conhecidos devido ao andar gingado, o chapéu tombado, o olhar dormente e a fala cheia de gírias.

Dizem que esses malandros não eram bandidos, mas não gostavam de ficar com o prestígio abalado, por isso, eram generosos com os amigos e cruéis com os inimigos. Além do chapéu tombado, caído geralmente sobre a nuca ou sobre os olhos, usavam lenço no pescoço, camisa listrada, calças largas (boca sino) ou balão (bombacha), caídas sobre os sapatos de bico fino com salto carrapeta (apionado), não faltando a sua inseparável navalha.

E numa mistura de divertimento e passatempo, eles tinham a batucada como sua brincadeira predileta, como se aquilo fosse realmente uma 'escola de malandragem', cujo ritual era alimentado pelos surdos, chocalhos e pandeiros, além dos refrões de desafios, enquanto que no centro da roda, falavam com a cabeça ou com as pernas, mostrando sua destreza para justificar o prestígio de 'bamba' se fosse veterano ou para tirar sua 'patente' se fosse calouro.

Só entrava na roda quem era bamba de fato ou de direito, ou então os novatos que se achavam em condições de enfrentar os antigos. E ali surgiam os golpes mais diversos: a 'rapa', 'tesoura', 'banda', rabo-de-arraia', 'cabeçada', a 'baiana', 'bengala', 'tombo-de-ladeira', e tantos outros. E naquela mistura de corpos suados , corria a cachaça, chamada de 'ventarola' (nos dias de calor), e de 'capote' (quando chovia).

Quando a barra ficava pesada, uma navalha se agitava no ar, provocando um arrepio geral, e, então, um dos batuqueiros caia no chão todo ensagüentado, sendo a sua queda abafada pelo coro que cantava, acompanhado pelo ronco soturno da cuíca de barrica:

"Pau rolô, caiu,
Lá na mata ninguém viu..."

Extraído de "Do batuque à escola de samba", de Jorge Muniz Jr.