quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Divino maravilhoso"

Divino maravilhoso

Atenção
Ao dobrar uma esquina
Uma alegria
Atenção, menina
Você vem
Quantos anos você tem?

Atenção
Precisa ter olhos firmes
Pra este sol
Para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para a estrofe, para o refrão
Pro palavrão
Para a palavra de ordem

Atenção
Para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para as janelas no alto
Atenção
Ao pisar no asfalto mangue
Atenção
Para o sangue sobre o chão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte


Divino maravilhoso (Caetano Veloso & Gilberto Gil) - Chicas ao vivo(2009)
clique aqui!

Divino maravilhoso (Caetano Veloso & Gilberto Gil) - Leila Pinheiro & Vitor Biglioni(2004)


A CANÇÃO CONTADA

Caetano e Gil compuseram "Divino, Maravilhoso" em uma época de grande efervecência na música popular brasileira, que lideraram a gravação de "Tropicália ou Panis et circencis", de 1968, o disco-manifesto do movimento tropicalista. Deste LP, participariam também Os Mutantes, Nara Leão e Gal Costa.

No final de outubro daquele ano, estreou na TV Tupi, de São Paulo, o programa de vanguarda "Divino, Maravilhoso", comandado por Caetano e Gil e do qual participavam Jorge Ben, Os Mutantes, Gal Costa e o conjunto Os Bichos.

Próxima dos tropicalistas e considerada a musa do movimento, Caetano sugeriu que Gal participasse da quarta edição do Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record (também de São Paulo) com a canção "Divino, Maravilhoso", e Gil se propôs fazer o arranjo. Caetano perguntou como Gal queria cantar a canção, e a cantora explicou que queria cantar "de uma forma nova, explosiva, de uma outra maneira", mostrando "uma outra mulher", "uma outra Gal além daquela que cantava quietinha num banquinho a bossa nova".

Na noite do dia 13 de novembro de 1968, Gal subiu ao palco para interpretar a canção que seria um marco em sua carreira. A cantora defendeu a canção de maneira agressiva, explorando toda a potencialidade da sua voz, utilizando mais os agudos, um jeito de cantar completamente diferente do que vinha fazendo até então, mais inspirado na Bossa Nova. Até o visual de Gal estava diferente: cabelo black power e um enorme colar de espelhos no seu figurino. A plateia ficou divida durante a interpretação - uns vaiavam, outros aplaudiam a cantora. A canção terminou na 3ª colocação no festival. Veja vídeo abaixo.

Em 1969, Gal gravou "Álbum homônimo", seu primeiro L.P. individual, que teve grande sucesso comercial. Entre as doze faixas, estava "Divino, Maravilhoso".

Extraído de Wikipédia


Divino maravilhoso (Caetano Veloso & Gilberto Gil) - Gal Costa ao vivo(1968)

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Foi por apenas três meses (de outubro a dezembro de 1968) que o programa "Divino Maravilhoso", de Caetano Veloso e Gilberto Gil, ficou no ar, pela TV Tupi. Mas o bastante para que os telespectadores se irritassem. Transmitidas ao vivo, as apresentações não tinham roteiro e os cantores aproveitavam para farrear diante das câmeras. Resultado: choviam cartas de reclamações pelo mau comportamento. "A gota d'água foi quando Caetano cantou uma música com um revólver apontado para a cabeça", conta a pesquisadora Ana de Oliveira.

Edson Veiga para "VEJA" São Paulo


Gilberto Gil rodopiava e ria cantando "Batmacumba". Caetano Veloso plantava bananeira; deitado no palco, sem que as guitarras dos Mutantes parassem, emendava com "É proibido proibir". Atrás deles, quatro painéis em alto-relevo exibiam uma grande boca, seios e dentaduras em cores berrantes. Era tudo "Divino, Maravilhoso", programa mais anárquico já exibido na televisão brasileira, que estreou em 28 de outubro de 1968 na extinta TV Tupi.
Não havia meio-termo: era amor ou ódio à primeira vista. Dirigido por Fernando Faro, produzido por Antônio Abujamra, com Cassiano Gabus Mendes na direção de imagens, quase tudo era definido no dia, horas antes da transmissão ao vivo. A farra semanal dos tropicalistas durou só até o Natal, quando Caetano e Gil foram presos por oficiais do Exército. Tempos de chumbo. Em dois meses de vida, o programa recebeu centenas de cartas de pais de família, indignados com Caetano, Gil e seus convidados: Gal Costa, Jorge Ben, Tom Zé, Nara Leão, Paulinho da Viola e Cyro Monteiro. Foi um curto-circuito na televisão brasileira.

Escrito por Luiz Henrique Gurgel

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Botoes de laranjeira"

Botões de laranjeira

Maria Madalena dos anzóis Pereira
Teu beijo tem aroma de botões de laranjeira
Mas a Pretoria não é brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira

Em plena liberdade eu ia, passo a passo
Quando teus olhos verdes atiraram um laço
Agora estou na forca de qualquer maneira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira

Maria Madalena dos Anzóis Pereira
Teu beijo tem aroma de botões de Laranjeira
Mas a Pretoria não é brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira

Eu fui te dando corda despreocupado,
E quando dei por mim já estava amarrado
E quem levou vantagem com a brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira


Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Ciro Monteiro & Regional de Benedito Lacerda(1942)
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Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Miltinho(1968)

Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Simonetti e Orquestra RGE(1960)

Botoes de laranjeira (Pedro Caetano) - Pratica Vocal do Laercio

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A CANÇÃO CONTADA

O compositor Pedro Caetano estava numa festinha, quando uma menina lhe pediu: "Será que o senhor poderia fazer uma música pra mim?". Embora não gostasse de compor por encomenda, Pedro animou-se ao saber que a garota se chamava Maria Madalena de Assunção Pereira, um nome tão musical que tinha até ritmo de choro.

E ali mesmo começou a escrever os versos iniciais da composição ("Maria Madalena de Assunção Pereira / teu beijo tem aroma de botões de laranjeira"), para a alegria da homenageada. Dias depois, a música era lançada com sucesso por Ciro Monteiro no programa de César Ladeira, na Rádio Mayrink Veiga. Marcada a gravação para a semana seguinte, pois Ciro tinha pressa, surgiu um empecilho.


A censura proibia nomes próprios por extenso em letras de música, alegando que isso afetava a privacidade das pessoas. Pedro ficou desolado, pois uma das graças do sambinha era justamente o nome da garota funcionando como verso. Mas a salvação veio numa sugestão de César Ladeira: substituiu-se o "de Assunção" por "dos Anzóis", cessando o pretexto da proibição. César ainda brincou: "Se aparecer alguém com esse nome mandem prender, porque isso não é nome que se use".

Criador de inspirados versos para músicas alheias, Pedro Caetano era também um criativo melodista, conforme se pode constatar em composições como "Botões de Laranjeira".


Extraído do blog Cifrantiga

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"O samba e meu dom"

O samba e meu dom

O samba é meu dom
Aprendi bater samba ao compasso do meu coração
De quadra, de enredo, de roda na palma da mão
De breque, de partido-alto e o samba-canção
O samba é meu dom
Aprendi a dançar samba vendo o samba de pé no chão
No Império Serrano, a escola da minha paixão
No terreiro, na rua, no bar, gafieira e salão
O samba é meu dom
Aprendi cantar samba com quem dele fez profissão
Mário Reis, Vassourinha, Ataulfo, Ismael, Jamelão
Com Roberto Silva, Sinhô, Donga, Ciro e João (Gilberto)
O samba é meu dom
Aprendi muito samba com quem sempre fez samba bom
Silas, Zinco, Aniceto, Anescar, Cachinê, Jaguarão
Zé-com-Fome, Herivelto, Marçal, Mirabeau, Henricão
O samba é meu dom
É no samba que eu vivo, do samba é que eu ganho o meu pão
E é num samba que eu quero morrer de baquetas na mão
Pois quem é do samba meu nome não esquece mais, não.



O samba e meu dom (Wilson das Neves & Paulo Cesar Pinheiro) - Pedro Miranda(2006)
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O samba e meu dom (Wilson das Neves & Paulo Cesar Pinheiro) - Wilson das Neves(1996)

O samba e meu dom (Wilson das Neves & Paulo Cesar Pinheiro) - Fabiana Cozza & Zimbo Trio ao vivo

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