quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Evangelho"

Evangelho

Eta mundo que a nada se destina
Se maior se faz, mais se arruína
Se mais quer servir, mais nos domina
Se mais vidas dá, são mais os danos
Se mais deuses há, mais são profanos
Estes pobres de nós seres humanos

Eta vida, essa vida de infelizes
Quanto mais coração, mais cicatrizes
No amor é que a dor cria raízes
De dentro do bem é que o mal trama
Da felicidade cresce o drama
Dessas tristes de nós vidas humanas

Eta tempo que em pouco nos devora
O pavio da vela apagará
Quanto mais se partir tempos afora
Mais nos tempos de agora se estará
E mais tarde quando o tempo melhora
A nossa mocidade onde andará?

Eta morte que acaba tempo e vida
O mundo não conseguiu saída
É o fim mas pode ser o começo
Quem tenta fugir faz sempre o avesso
E quanto mais vidas se cultiva
Mais a morte alimenta a roda viva


Evangelho (Dori Caymmi & Paulo Cesar Pinheiro) - Dori Caymmi(1982)
clique aqui!

Evangelho (Dori Caymmi & Paulo Cesar Pinheiro) - MPB4(1975)

Evangelho (Dori Caymmi & Paulo Cesar Pinheiro) - Paulo Cesar Pinheiro ao vivo(1976)

Evangelho (Dori Caymmi & Paulo Cesar Pinheiro) - Dori Caymmi & Paulo Cesar Pinheiro ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

Em 2010, Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro completam 41 anos de parceria.

A canção “Evangelho”, composta em 1969, marcou o início da parceria. De lá

para cá, fizeram juntos mais de 60 músicas.



quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Chegou a bonitona"

Chegou a bonitona

Mas olha só, oh pessoal
Que bonitona
Olha o pedaço que acabou de chegar
Agora sim o pessoal com a chegada dessa Dona
O nosso samba tem que melhorar

Mas olha só, oh pessoal
Que bonitona
Olha o pedaço que acabou de chegar
Agora sim o pessoal com a chegada dessa Dona
O nosso samba tem que melhorar

Temos flauta, cavaquinho e violão
Temos pandeiro pra fazer a marcação
Temos espaço no terreiro pra sambar
E uma noite linda de luar

Agora acaba de chegar a bonitona
Requebrando pra lá
Requebrando pra cá
Cadê o moço?
Cadê o dono dessa Dona?
Se não tá vou me atracar

Mas olha só, oh pessoal
Que bonitona
Olha o pedaço que acabou de chegar
Agora sim o pessoal com a chegada dessa Dona
O nosso samba tem que melhorar

Mas olha só, oh pessoal
Que bonitona
Olha o pedaço que acabou de chegar
Agora sim o pessoal com a chegada dessa Dona
O nosso samba tem que melhorar

Temos flauta, cavaquinho e violão
Temos pandeiro pra fazer a marcação
Temos espaço no terreiro pra sambar
E uma noite linda de luar

Agora acaba de chegar a bonitona
Requebrando pra lá
Requebrando pra cá
Cadê o moço?
Cadê o dono dessa Dona?
Se não tá vou me atracar

Temos flauta, cavaquinho e violão
Temos pandeiro pra fazer a marcação
Temos espaço no terreiro pra sambar
E uma noite linda de luar

Agora acaba de chegar a bonitona
Requebrando pra lá
Requebrando pra cá
Cadê o moço?
Cadê o dono dessa Dona?
Se não tá eu vou pegar


Chegou a bonitona (Geraldo Pereira & Jose Batista) - Blecaute(1948)
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Chegou a bonitona (Geraldo Pereira & Jose Batista) - Nadinho da Ilha(2005)

Chegou a bonitona (Geraldo Pereira & Jose Batista) - Luiz Melodia ao vivo

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

"Na cadencia do samba"

Na cadência do samba

Que bonito é
Ver um samba no terreiro
Assistir a um batuqueiro
Numa roda improvisar

Que bonito é
A mulata requebrando
Os tambores repicando
Uma escola desfilar

Que bonito é
Pela noite enluarada
Numa trova apaixonada
Um cantor desabafar

Que bonito é
Gafieira salão nobre
Seja rico, seja pobre
Todo mundo a sambar

O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria

Bate que vá batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também


Na cadencia do samba (Luis Bandeira) - Arranco de Varsovia(2005)

Na cadencia do samba (Luis Bandeira) - Conjunto Nosso Samba(1974)

Na cadencia do samba (Luis Bandeira) - Ed Maciel(1957)

Na cadencia do samba (Luis Bandeira) - Elizeth Cardoso(1958)

Na cadencia do samba (Luis Bandeira) - Orquestra de Contrabaixos Tropical

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A CANÇÃO CONTADA

Para muitos o cinema é o conjunto dos grandes filmes. Para outros, o cinema não passa de uma técnica de ilusão. Mas para aquele que quer conhecer a história do século XX, para quem busca desvendar o segredo dos deuses e das lendas do homem contemporâneo, o cinema é, sem qualquer dúvida, a mais importante das fontes de informação.

Daí a importância dos cinejornais. Como gênero de cinema, em todo o mundo, o cinejornal esteve presente registrando o século. No Brasil desde os anos cinqüenta, o CANAL 100 criou a legenda dos grandes cinejornais.

O criador Carlos Niemeyer, começou a fazer cinema nos anos 50, produzindo com Jean Manzon alguns documentários sobre o Rio de Janeiro. Em 1958 fundou sua própria produtora que mais tarde se especializou em cinejornal, surgia o Canal 100 que de 1959 à 1986 produziu um cinejornal por semana, formando um importante acervo cinematográfico dos acontecimentos jornalísticos da época. (aproximadamente setenta mil minutos de imagens)

O nome Canal 100 foi uma analogia à televisão que até recentemente se identificava pelo número do Canal. Canal 13(Tv Rio), Canal 6 (Tv Tupi), Canal 4 (Tv Globo), etc. Canal 100 era na visão de Carlos Niemeyer um número inatingível pela Televisão.

Desde 1959 as lentes do CANAL 100 tentam inovar; Seja na simples criação das vinhetas, ou na "mis en scene" da montagem, e principalmente nas filmagens, onde sobressaiu , Francisco Torturra , o melhor cinegrafista de futebol da história dos cinejornais. Tudo sob a supervisão de Carlos Niemeyer.

Na parte musical , foram compostas trilhas para cada vinheta do jornal, uma delas com partituras do maestro Tom Jobim. No futebol, após diversas tentativas, descobriu-se o samba de Luis Bandeira, "Na cadencia do Samba" que virou hino e trilha sonora do futebol brasileiro.

Criador de um estilo próprio, foi no futebol que a marca do nosso jornal se tornou mais famosa. O perfeito casamento entre o maior esporte do mundo e a síntese de todas as artes, o cinema.

Como dizia Nelson Rodrigues: "Foi a equipe do CANAL 100 que inventou uma nova distância entre o torcedor e o craque, entre o torcedor e o jogo, grandes mitos do nosso futebol, em dimensão miguelangesca, em plena cólera do gol. Suas coxas plásticas, elásticas enchendo a tela. Tudo o que o futebol brasileiro possa ter de lírico, dramático, patético, delirante…"

Mas, apesar de todo o sucesso, os tempos mudaram e em 1985 o ministério da Cultura do Governo Figueiredo, apoiado pelos lobistas do cinema americano, inviabilizou a produção, proibindo a propaganda comercial em cine-jornal. Era o fim do futebol do Canal 100 e de um estilo brasileiro de fazer cinema.

"Extraído do site do Canal 100"

A música tema do canal 100, “NA CADÊNCIA DO SAMBA (Que Bonito é)” é uma composição de Luis Bandeira, mas a gravação usada pelo canal 100 era do LP "FEITO PARA DANÇAR" da década de 50, de Waldir Calmon e sua Orquestra clique aqui!.

Como em toda produção visual, a trilha sonora do Canal 100 era tratada com muita atenção pelos realizadores do cinejornal, e cada assunto recebia uma vinheta própria. Uma das trilhas, por exemplo, era baseada em partituras do músico Tom Jobim. Para os momentos do futebol, após diversas tentativas, escolheu-se a música "Na cadência do samba", de Luis Bandeira, até hoje um hino do futebol brasileiro. Curiosamente, a letra não faz nenhuma referência ao futebol; mesmo assim, a associação que se estabeleceu entre esta melodia e as imagens do cinejornal fez com que o samba se tornasse um símbolo entre as músicas de futebol.

"Escrito por Regina Rocha"

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