sábado, 27 de março de 2010

"Sera"

Será

Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinha
Mas eu sei muito bem aonde vou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor

Será só imaginação
Será que nada vai acontecer
Será que é tudo isso em vão
Será que vamos conseguir vencer

Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nosso coração

Será só imaginação
Será que nada vai acontecer
Será que é tudo isso em vão
Será que vamos conseguir vencer

Brigar pra que se é sem querer
Quem é que vai nos proteger
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais
Eu e você

Será só imaginação
Será que nada vai acontecer
Será que é tudo isso em vão
Será que vamos conseguir vencer

Brigar pra que se é sem querer
Quem é que vai nos proteger
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais
Eu e você


Sera (Dado Villa Lobos & Renato Russo & Marcelo Bonfa) - Legiao Urbana(1984)
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Sera (Dado Villa Lobos & Renato Russo & Marcelo Bonfa) - Simone(1991)

Sera (Dado Villa Lobos & Renato Russo & Marcelo Bonfa) - Diversos Grupos ao vivo

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A CANÇÃO CONTADA

"Será", a primeira canção do primeiro disco da "Legião Urbana" começa com os seguintes versos: "Tire suas mãos de mim / Eu não pertenço a você". Parecia uma declaração de princípios punks, autoritária e arrogante, onde o grito de independência pressupõe o corte de todos os laços (afetivos, de qualquer tipo de pertencimento) com o mundo ao redor e com as pessoas que vivem nesse mundo. Mas "Será" não é, nem de longe, uma re-edi ção irônica de "Sub-Mission" dos Sex Pistols. "Será" é o início do diálogo (com um "você" ambíguo, em constante metamorfose, que re-aparecerá em inúmeras outras músicas da Legião Urbana) e a primeira tentativa de construção de um outro mundo regído por princípios éticos pós-punks, que levem em conta (e ao extremo) a ausência de futuro e a descrença radical sobre o que passou.

"Será" é antes de tudo uma canção romântica (não foi por acaso que também fez sucesso na voz de Simone e no rítmo melodramático do pagode-suingue), tão romântico quanto a escrita do mais desesperado poeta romântico alemão, que também vivia o fim de um mundo. O sentimento predominante em "Será", e nas demais faixas do primeiro disco da Legião Urbana, não é a revolta, mas sim o desamparo ("Quem é que vai nos proteger?") e a necessidade urgente de criação de uma nova comunidade, sem depender de ninguém, já que ninguém nos protege.

Extraído da história da banda “Legião Urbana”.

"Depois de dois meses em Brasília, chegou a notícia de que a única pessoa que poderia produzir o disco era o jornalista José Emílio Rondeau, que escrevia sobre música desde 1977... Renato (Russo) ficou feliz. Gostava muito dele e de sua mulher, Ana Maria Bahiana.

Inclusive já fizera chegar às mãos deles por um amigo comum — o fanzineiro Tom Leão — uma fita com as músicas da Legião Urbana. Pois foi justamente essa fita que maravilhou Rondeau. “O que me chapou de vez foi Será”, contaria. Chamaram-lhe a atenção não só os versos mais que adequados aos estertores do regime militar (“Será que vamos conseguir vencer?”) mas também o modo como Renato “parecia um cavaleiro romântico atravessando tempestades e vendavais para chegar ao amor, e pela maneira como a banda parecia determinada a cruzar as mesmas intempéries a qualquer custo”.

Trecho do livro "O Trovador Solitário"


RENATO RUSSO, se estivesse entre nós, comemoraria hoje 50 anos, enquanto isto RENATO (meu filho) e RUSSO prá confirmar que "amigo é prá essas coisas" chegam a fazer concessões difíceis de acreditar:





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