quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"Tristeza"

Tristeza

Tristeza
Por favor vai embora
A minha alma que chora
Está vendo o meu fim

Fez do meu coração
A sua moradia
Já é demais o meu penar

Quero voltar aquela
Vida de alegria
Quero de novo cantar

la ra rara, la ra rara
la ra rara, rara
Quero de novo cantar


Tristeza (Niltinho & Haroldo Lobo) - Dom Salvador Trio(1966)
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Tristeza (Niltinho & Haroldo Lobo) - Sonia Rosa(1970)

Tristeza (Niltinho & Haroldo Lobo) - Jair Rodrigues

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A CANÇÃO CONTADA

Embalado por uma dose de Fogo Paulista e curtindo enorme dor de cotovelo, Nilton de Souza teve sua maior inspiração. Passou para o papel a frase que martelava sua cabeça desde que a namorada lhe dera o fora e compôs uma das músicas brasileiras mais conhecidas até hoje, no Brasil e no exterior. O sucesso acabou fazendo com que ele incorporasse o título a seu nome artístico. Até hoje, quatro décadas mais tarde, o cantor e compositor ainda é conhecido como Niltinho Tristeza.

É bem verdade que em 1963 quando fez o samba, nada aconteceu. Somente três anos mais tarde, depois da parceria com Haroldo Lobo, "Tristeza" estourou nas rádios e passou a ser uma das músicas mais cantadas no Carnaval de 1966, na voz de Ari Cordovil clique aqui!: "Tristeza, por favor vá embora / minha alma que chora..." Nos anos seguintes, o samba ganhou várias outras regravações – mais de quinhentas –, no país e no exterior. E a vida de Niltinho nunca mais foi a mesma.

“Tudo o que tenho foi graças à música”, diz ele. Aos 68 anos, casado com Neuza Maria, de 64, o pivô de toda a história, Niltinho continua na ativa. Falante e animado, em nada lembra o apelido. Tampouco ficou como criador de um único sucesso. Com cerca de 150 sambas gravados, outros 80 guardados em fitas e mais alguns rascunhados em papel, ele emplacou também Chinelo Novo ("Eu vou sambar até gastar o meu chinelo novo / Quero esquecer a vida / Cair na avenida me perder no povo, amor..."), parceria com João Nogueira, em 1971. Composto para o Cacique de Ramos, foi outro sucesso do Carnaval daquele ano, quando o bloco saiu arrastando uma multidão que cantava a música pela avenida Rio Branco.

Mas, sem dúvida, "Tristeza" é até hoje seu maior sucesso. “É o hino da minha vida, meu ganha-pão até hoje com direitos autorais, o que segura as pontas aqui em casa”, anima-se o compositor. Curiosamente Neuza só descobriu que a música tinha sito feita pra ela, anos depois de casada, quando ouviu a história contada pelo próprio Niltinho numa entrevista.

“Compus "Tristeza" em 63 e passei a cantar a música no bloco Boêmios de Botafogo”, lembra Niltinho. Foi onde o compositor Haroldo Lobo, já conhecido por sucessos como Alalaô, Índio quer apito, Emília e Pra seu governo, ouviu o samba pela primeira vez. Gostou tanto que propôs parceria a Niltinho. Por idéia de Haroldo encurtaram a música, suprimindo a segunda parte. “É que samba de Carnaval para pegar precisava ser curtinho”, explica Niltinho.

Haroldo não chegaria a ouvir a música nas rádios. Morreu duas semanas antes de o samba ser lançado. E antes que "Tristeza" começasse a ser ouvida por todo canto. “Naquele tempo as rádios tocavam muitas músicas de carnaval e todas colocavam meu samba. Foi uma emoção muito grande”, conta.

Emoção maior ainda pelo momento por que o Rio de Janeiro passava, com enchentes que provocaram o desabamento de casas e mortes em várias favelas. O prefeito da época, Negrão de Lima, chegara até a cogitar cancelar o carnaval. Teria sido demovido da idéia e, no carnaval de 1966, o povo foi às ruas cantando "Tristeza". A música virou o hino da cidade naquele momento, caindo na boca do povo.


Se não se tornou celebridade como os cantores da época, Niltinho passou a ser bastante solicitado no meio. “Vários cantores começaram a me pedir música, entre eles Elisete Cardoso, Peri Ribeiro, Wilson Simonal, Elza Soares, Jorge Goulart, Maria Creuza, Emílio Santiago, Dominguinhos do Estácio”, orgulha-se. Mas foi na voz de Jair Rodrigues, que "Tristeza" ganhou o Brasil inteiro e se tornou uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo clique aqui!.

E Neuza, a musa do samba? O rompimento durou pouco tempo. “Foi briga de namorados. O caso é que ele tinha outras. Então resolvi que ele precisava se decidir e dei um basta no namoro”, conta a esposa. Niltinho soube como dar um fim nesse “basta”. Boêmio inveterado, ele passava as noites na farra, mas voltava para casa de manhã, a tempo de trocar de roupa e ir para a missa de domingo, onde sabia que encontraria Neuza.

Entrevista dada a Bete Silva & Vilma Homero ao site "Viva Favela".

As duas versões de "Tristeza", a original dos "Boêmios de Botafogo" e aquela após a parceria com Haroldo Lobo, podem ser ouvidas nesta apresentação de Niltinho:

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